Tudo é permitido, mas nem tudo convém

Não há qualquer dúvida que uma das melhores palavras que conhecemos é a palavra evolução; Penso que a grande maioria de nós quando ouve ou profere essa palavra sem assim aquela sensação de modernidade ou algo parecido. Pessoalmente acho evolução algo maravilhoso, no entanto desde que ela não seja apenas mais do que uma palavra, um modismo ou uma simples tentativa de  legitimar algo que na verdade não é tão novo assim.

Aprendi a pensar assim ao longo dos anos, claro que já tive um dia a minha fase de deslumbre com as palavras e novidades, mas a vida me ensinou que as palavras precisam ter sentido, que as coisas propostas como novas precisam de análise para serem validadas  e assim e desde então penso sobre as coisas da forma mais imparcial possível.

Vivemos aqui no Brasil um tempo de supostas novidades. Até um pouco antes do assunto pandemia tomar conta de nossas vidas estávamos com os olhos voltados para algumas reformas em alguns segmentos da sociedade. Acima de tudo não vi mais do que um momento de lados sem mais uma vez ou pela primeira vez pensarmos em um pais como um todo e com sua realidade. Em nome de supostos empregos e sem agir na direção de qualquer problema estrutural surgiram diversas supostas  novidades que para quem conhece um pouco mais do assunto sabe que não é bem esse o problema.

Precisamos tomar muito cuidado para que a tratativa de determinados assuntos não seja feita da mesma forma dentro das organizações levando em conta que o que deve interessar e a prevenção como resultado final.

De uma hora para outra vimos muita gente mudando de opinião e discurso – o que também não e novidade e menos ainda evolução. São pessoas que como ciência adotam a interessologia – que nem tem no dicionário mas é uma prática muito forte por aqui.

Depois e dentro desse momento temos em nossos colos uma porção de pedaços de mudanças para lidar. Para alguns supostamente um mundo de facilidades – no entanto resta-nos a obrigação técnica e mesmo ética de analisar cada uma delas e tirar conclusões a partir da ótica prevencionista.

Nessa lista podemos começar pela questão dos treinamentos EAD que não pode ser pensada simplesmente a partir da ótica “meus problemas acabaram, até porque uma organização que não libera pessoas para treinamento presencial certamente usará a modalidade EAD de forma duvidosa. Não é a forma e a maturidade da organização em relação ao assunto,

O uso da modalidade EAD é uma decisão a ser tomada caso a caso, tanto no que diz respeito a organização, como muito especialmente ao tipo de treinamento e muito, mas muito mesmo analisando o publico – ou seja o trabalhador a ser treinado. E eu penso que isso não pode ser uma decisão tomada por uma só pessoa – até porque queiram alguns ou não – ela implica em grandes responsabilidades e aquilo que em um primeiro momento pode parecer o céu no caso de problemas pode se mostrar de fato um inferno. Assim e por isso – entre outras coisas importante tratar esse assunto não apenas  a partir do aspecto facilidade ou praticidade mas de pelo menos uma análise bem estruturada e que gera evidências de sua realização.

Em tempos de GRO que tal incluir a questão do treinamento nas analises e a avaliações, levando em conta por exemplo o risco envolvido, o publico a ser treinado, a necessidade da customização, a interação presencial, etc.

De forma algum devemos recusar o novo – tudo é permitido, mas nem tudo convém – mas não podemos abrir de compreender e analisar a realidade pois isso pode custar caro demais.


O blog SST na Prática apresenta informações importantes para os profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho. O autor Cosmo Palasio de Moraes Junior é Técnico em Segurança do Trabalho com diversas especializações. Colunista e membro do Conselho Editorial da Revista Proteção. Diretor do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado de São Paulo. Fundador e moderador do Grupo SESMT. Auditor, Consultor e Instrutor com atuação em diversas organizações, entre elas, Volkswagen, WEG, GERDAU, Vale, Suzano e SABESP. Autor do Livro Dia a Dia da Prevenção e consultor do Manual de Segurança e Saúde no Trabalho.
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