quinta-feira, 07 de julho de 2022

Como sobrevivemos aos anos 80

– Como faço muitas postagens é comum eu usar a internet para buscar imagens e sabe-se lá como acabei chegando em uma latinha de Neocid. Se você viveu os anos 80, provavelmente conhece a latinha que quando apertava fazia ploc, ploc e saia um pozinho branco.

– Professor, nasci no meio dos anos 90, não estou entendendo nada!

– É o seguinte, meu filho. Não sei se hoje ainda ocorre, mas vez por outra acabávamos pegando piolho no colégio e quando chegava em casa havia todo um ritual. Primeiro a minha mãe passava um pente fino (embaixo ficava uma toalha branca para conseguir enxergar melhor os bichinhos caindo), depois de tirar o grosso ia partindo o cabelo e jogando o pozinho de Neocid, para finalizar colocando um pano sobre a cabeça, para abafar e dizimar os piolhos.

– Que nojo! Não lembro de ter passado por isso!

– Ok, limpinho! Mas o que eu queria alertar era sobre o tal do famoso Neocid. Fui pesquisar e descobri que era um veneno a base de Carbamato, até procurei a FISPQ do produto, mas não achei, porém descobri que é um produto tóxico que as mães dos anos oitenta colocavam nas cabeças dos filhos sem nenhum remorso (não sei se hoje ainda fazem). Para ser sincero, antes de fazer essa busca, para mim era até um produto adequado para o problema, ou seja, essa mesma ignorância ocorre com os nossos trabalhadores, que por não saberem as consequências de cada produto, acabam manipulando diretamente sem os procedimentos de segurança, por simples falta de informação.

– Estou contando toda essa história para lembrar que nós precisamos fazer a rotulagem dos produtos químicos com todas as advertências necessárias, mas não só isso, também treinar os trabalhadores para que eles tenham consciência dos perigos a que estão expostos.

– Só para concluir, lembrei que apesar de ter sido exposto a um produto tóxico, devo ter menos consequências que o meu primo. Lembro de ter ido na casa dele e a minha tia estava aplicando Detefon na cabeça dele dizendo que o menino estava infestado e para minha mãe não se preocupar que ele era forte e não ia morrer. Não sei se teve alguma consequência, pois não fiquei lá, mas minha tia estava certa. Não morreu mesmo!


O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
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