PGR é mesmo uma novidade? Parte – III

Professor, no artigo anterior o senhor falou de perigo, mas não explicou o conceito.

– É verdade, meu filho. Vou citar o conceito da OHSAS 18001 para perigo e risco para que você entenda e saiba a diferença.

  • Perigo: fonte, situação ou ato com potencial para provocar dano em termos de lesão humana, doença, ou uma combinação destas.

– A palavra chave desta definição é potencial. Por exemplo, se pegarmos duas bombas iguais, em qualquer lugar que as coloquemos elas têm o mesmo potencial de dano.

  • Risco: combinação da probabilidade de uma ocorrência de um evento perigoso ou exposição (ões) e a severidade de dano ou doença que pode ser causada pelo evento ou exposição (ões).

– Utilizando as mesmas bombas do exemplo e colocando uma em um depósito de inflamáveis e outra no meio do deserto é fácil de entender onde há maior risco, ou seja, maior probabilidade do perigo ter maior gravidade.

Entendi, professor. Por exemplo, um piso escorregadio é o perigo a possibilidade cair e quebra a perna seria o risco.

– Exatamente, meu filho. Agora imagine o tamanho que ficará esta listagem de perigos da empresa. Mas você pode estar pensando: “Alguns serão graves, mas vai ter um monte que não serão tão perigosos assim”.

– Concordo e justamente para conseguirmos estabelecer quais são os mais graves precisamos ter um critério de prioridade que quantifique os nossos perigos.

– O critério mais simples a ser utilizado é relacionar a severidade do perigo com a probabilidade de sua ocorrência. Não um único critério, mas precisaremos criar uma escala de pontuação, por exemplo de 1 a 3 pontos, onde 1 ponto significa baixa gravidade ou baixa probabilidade e 3 seria uma condição de alta gravidade ou alta probabilidade.

Vejamos um exemplo:

– Digamos que eu tenha um buraco ao lado da mesa com cinco metros de profundidade, pois bem a gravidade caso alguém caia neste buraco é elevada, ou seja, podemos considerar 3 pontos. Agora qual a probabilidade de alguém cair neste buraco?

– Para isso vamos avaliar o histórico de quedas, a localização do buraco, se há sinalização, ou seja, iremos analisar a situação e a partir desta análise teremos uma pontuação de 1 a 3. Vamos considerar que para o nosso exemplo teremos média probabilidade (2 pontos).

– Com o resultado destes dois critérios (gravidade = 3pts e probabilidade = 2 pts) podemos obter a significância deste perigo.

– O valor da significância será obtido multiplicando-se a pontuação da severidade e probabilidade, para o nosso exemplo teremos 6 pontos.

– Esta mesma análise deverá ser realizada para todos os perigos identificados, com isso ficará mais fácil priorizar onde iniciaremos a implantação dos controles.

– Ou seja, pontuações mais elevadas terão prioridade sobre as demais.

– Para fazer esta análise devemos utilizar critérios simplificados para que não haja conflito no resultado, pois esta análise será realizada por vários colaboradores.

Continua…


O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
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