Prêmio Proteção Brasil 2019 – Melhor Case da Região Norte – Unitapajós Terminais e Navegação

Aposta na criatividade

O trabalho em altura, por si só, já demanda medidas de proteção consistentes, pois sempre existe o risco de acidentes graves, como as quedas. Mas há cenários em que outros fatores, a exemplo de ambientes instáveis e içamento de cargas, multiplicam os perigos a que os trabalhadores estão expostos durante tarefas de rotina.Foi diante destas situações delicadas que as companhias vencedoras da categoria ‘Trabalho em Altura’ do Prêmio Proteção Brasil 2019 usaram a criatividade para desenvolver soluções inovadoras. O Ouro ficou com a Unitapajós Terminais e Navegação, pelo case ‘Manutenção e troca da rosca do Silwertell’. A distinção Prata foi conquistada por ‘Soluções de engenharia para reduzir o risco no trabalho em altura’ da Camargo Corrêa Infra Construções, enquanto a Hyundai Motor Brasil foi agraciada com o Bronze pelo trabalho ‘Altura sem fronteira – O desafio’.

Contemplada com o primeiro lugar na categoria Trabalho em Altura e melhor case da Região Norte, a equipe de segurança e manutenção da Unitapajós Terminais e Navegação projetou uma nova maneira de fazer a ‘Manutenção e troca da rosca do Silwertell’. 

A ideia de melhorar os processos partiu da observação das operações de manutenção do equipamento Silwertell, que consiste num tubo imenso utilizado no descarregamento de grãos transportados em embarcações. Formada por roscas verticais e horizontais, a máquina suga os grãos automaticamente, lançando-os numa correia transportadora que leva os produtos até armazéns localizados no terminal de Barcarena/PA.

O equipamento funciona 24 horas por dia, captando grãos através de um transportador vertical do tipo parafuso, forjado em aço e composto por três roscas verticais. No entanto, após alguns períodos de uso, essas roscas verticais se desgastam por causa do atrito e abrasividade dos grãos. Daí a necessidade de troca das peças, a fim de garantir o funcionamento da máquina em condições ideais. Essa substituição de peças era extremamente complexa antes das melhorias realizadas pela Unitapajós, pois o Silwertell fica instalado em uma base fixa no píer da empresa, podendo ser acessado apenas por água. Ou seja, cada manutenção e troca de rosca exigia o auxílio de uma plataforma aérea e um caminhão Munck, que eram transportados por uma balsa de apoio até o píer. A plataforma levava funcionários da manutenção até o nível da rosca, para que fosse desparafusada, e o caminhão fazia o içamento da peça – que tem aproximadamente três metros de comprimento e pesa mais de uma tonelada.

Mesmo a inspeção periódica, feita para verificar a necessidade de troca de peças, implicava na elevação de um colaborador em cadeira suspensa, que ficava em posição desconfortável e precisava puxar, sozinho, uma chapa pesando 40 quilos.

“A atividade anteriormente desenvolvida envolvia vários riscos, como o trabalho em altura, riscos ergonômicos, içamento e equipamentos sobre balsa, em que ficávamos sujeitos à condição da maré (dependendo da época do ano, temos ondas de até dois metros). Todos esses fatores nos levaram a buscar e amadurecer formas diferentes e mais seguras para a execução da manutenção”, recorda Alexandre Umemura, supervisor do Departamento de Saúde e Segurança Ocupacional.

Para realizar a substituição da rosca, eram necessárias, em média, 40 horas de trabalho, divididas em quatro ou cinco dias, e uma equipe de 10 colaboradores. Além da exposição aos riscos, o processo exigia a parada do equipamento e, por consequência, do descarregamento de grãos no terminal de Barcarena, provocando atrasos nas viagens e queda no volume de armazenamento.

PIONEIRISMO

Para mudar esse cenário, os próprios trabalhadores da área de manutenção criaram uma solução pioneira, com o desenvolvimento de uma plataforma de sustentação para o trabalho; montagem de uma gaiola para suporte à rosca do equipamento e utilização do guincho do Siwertell como apoio para içamento das roscas.

Deste modo, em vez de os trabalhadores serem elevados até o nível da rosca, a peça é içada até o nível do píer, onde eles retiram parafusos e executam a troca de peças. “Quando foi desenvolvida a melhoria, eliminamos a necessidade de cadeira suspensa para as inspeções do equipamento. E, para a troca de peças, foi desenvolvida uma gaiola que encaixamos numa abertura no piso do píer, que serve para escoamento de água. Encaixamos o tubo ali, a rosca fica dentro da gaiola e levanta o tubo. Assim, a equipe tira a rosca velha, coloca a rosca nova na gaiola, encaixa de novo e pronto, está feita a troca”, detalha Umemura.

SALDO POSITIVO

O novo processo permitiu eliminar o trabalho em altura, o uso de equipamentos móveis pesados (caminhão Munck e plataforma aérea), reduzindo a necessidade e quantidade de içamentos de pessoas e materiais. As horas de trabalho também caíram de 40 para 10, em média, exigindo a dedicação de quatro ou cinco empregados, que não precisam acompanhar a atividade em tempo integral.

Conforme relata o supervisor do Departamento de Saúde e Segurança Ocupacional na Unitapajós, houve uma quebra de paradigma durante o desenvolvimento da boa prática. “Antes, a troca era feita de acordo com as recomendações do próprio fabricante do Siwertell. Depois que tivemos a ideia de fazer a troca

em novo formato e desenvolvemos a plataforma e a gaiola, o próprio fabricante veio assistir à primeira substituição de rosca por meio do novo processo. Até então, para eles, não havia outra maneira de fazer a troca da rosca”, explica.

A inovação vem sendo empregada desde o início de 2019, com ganhos em produtividade, redução de custos e riscos a partir da eliminação do trabalho em desnível. Para Umemura, o melhor resultado é a ausência de acidentes durante a manutenção do Siwertell. “Receber a premiação, para nós, é o reconhecimento de todo o trabalho, dedicação e esforço do time inteiro da Unitapajós, desde a liderança até todos os nossos funcionários, sejam eles administrativos ou operacionais. Vamos seguir trabalhando arduamente, tendo a segurança como valor e sempre buscando a melhoria dos processos”, finaliza.

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