sexta-feira, 24 de junho de 2022

Suicídio será tema de palestra no Congresso de Stress da ISMA-BR

Fonte: Assessoria de Imprensa Isma-BR

O suicídio precisa deixar de ser tabu até para preveni-lo. A recomendação é do médico da família e psicanalista André Luís Bendl, que participa do Congresso de Stress e QVT da ISMA-BR. A palestra “Suicídio: falar é a melhor solução!”, no dia 21 de junho, às 10h20, integra a programação do 14º Encontro Nacional e Qualidade de Vida na Segurança Pública, que ocorre paralelamente ao congresso. Mais informações e inscrições podem ser acessadas no site: https://eventos.ismabrasil.com.br/.

André Luís Bendl é mestre em saúde e desenvolvimento humano, graduado em medicina, pós-graduado em suicidologia e em comportamento autolesivo. É ainda consultor técnico do Comitê Estadual de Promoção à Vida e Prevenção ao Comportamento Suicida da Secretaria da Saúde e coordenador médico da Secretaria da Saúde de Osório.

“As pessoas ainda não entenderam que a má divulgação do suicídio pode gerar problemas, mas falar, conversar, debater sobre o assunto é muito importante. Precisamos falar sobre o processo do comportamento suicida até para prevenir e apoiar quem está em sofrimento”, avisa o especialista. Bendl aponta que conversar sobre esse tipo de pensamento ou desejo é a melhor solução por colocar dois seres humanos em conexão, estabelecendo um contato, um carinho, um interesse pelo outro, visando a ajudar e esperançar que uma solução é possível mesmo diante da enorme dor emocional.

Nesse sentido, a recomendação é que as famílias estejam atentas e a pessoa que está em sofrimento e que vê na morte a solução para seus problemas procure ajuda. O ideal é buscar apoio profissional, mas também é importante conversar com alguém da família, algum amigo ou alguém próximo que o acolha, sem julgamentos. O CVV (Centro de Valorização da Vida) no telefone 188 e o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) também oferecem suporte a quem precisa desse tipo de auxílio.

O tabu e o pacto de silêncio social relacionados ao tema estão associados à boa parte dos casos de suicídio. Demonstrar fragilidade emocional costuma ser visto como um problema para profissionais de segurança pública, por exemplo, que estão entre as profissões com maior risco, ao lado de médicos, artistas e empresários.

RS é líder em suicídios

Segundo a Organização Mundial de Saúde, foram registrados 700 mil suicídios em 2019. O Brasil ocupa a 8ª colocação nessa triste estatística, com 11 mil suicídios. A prevalência entre idosos e adolescentes serve de alerta para as famílias. As ocorrências também são mais comuns entre homens, com 80% dos casos.

Nesse cenário, historicamente, o Rio Grande do Sul ocupa a pior posição, seguido por Santa Catarina, Piauí e Mato Grosso do Sul, de acordo com dados do Ministério da Saúde. E as taxas estão aumentando a cada ano, com 13,34 casos por 100 mil habitantes registrados em 2019, contra 10,94 em 2013.

André Bendl explica que os comportamentos suicidas são multifatoriais. Transtornos mentais, depressão e endividamento estão entre as causas. “75% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa renda e a condição social é um dos principais fatores”, adverte. No momento atual, infelizmente, a situação pode se agravar. O Rio Grande do Sul atingiu recorde de endividamento das famílias em 2010, quando a Fecomércio iniciou a série histórica. Entre as famílias com renda de até 10 salários-mínimos, 97,2% delas têm alguma dívida.

Recentemente, em Porto Alegre, dois casos de assassinato de familiares seguidos de suicídio tiveram o endividamento entre as principais motivações apontadas. “Assassinar os próximos e se matar é algo que acontece em várias partes do mundo por endividamento associado a problemas emocionais. A pessoa mata seu núcleo proximal por uma visão distorcida, para evitar que seus familiares sofram e tenham que arcar com os problemas financeiros”, avisa Bendl. “Preservar a vida e melhorar a condição social das pessoas é uma emergência de saúde pública”, conclama.

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