Tendências mundiais em SST

Em 2017 morreram 2,78 milhões por acidentes e doenças profissionais

A publicação da OIT ‘Segurança e Saúde no Trabalho no Centro do Futuro do Trabalho – Tirando Partido de 100 anos de Experiência’ lançada em abril no site da entidade (https://bit.ly/2WbBuSt) traz importantes reflexões sobre as tendências mundiais em SST. De acordo com estimativas recentes 2,78 milhões de trabalhadores morrem todos os anos devido a acidentes e doenças relacionados ao trabalho sendo que destes, 2,4 milhões de óbitos são devido a doenças. No caso de acidentes de trabalho não fatais, o número de vítimas chega a 374 milhões de trabalhadores. Estima-se que os dias de trabalho perdidos, em nível global, representem quase quatro por cento do PIB mundial atingindo os 6 por cento, ou mais, em alguns países.

O relatório, que possui ao todo 69 páginas, observa que embora a Segurança e a Saúde no Trabalho seja cada vez mais reconhecida, continua a ser difícil obter-se uma imagem precisa do seu impacto em nível global. Isto porque o registro e a análise sistemática de estatísticas fidedignas e comparáveis varia de uma região para outra e ao longo do tempo, o que dificulta a comparação de dados e tendências.

A publicação menciona que mesmo nos países que possuem sistemas de registro de dados estatísticos mais consolidados, é comum verificar-se o subregistro, sobretudo de acidentes de trabalho não fatais e, especialmente de doenças relacionadas ao trabalho. Mesmo assim, em nível mundial, estima-se que morrem 1.000 pessoas por dia devido a acidentes de trabalho e 6.500 devido a doenças profissionais.

Os dados agregados pelo banco estatístico da OIT indicam um aumento geral do número de mortes relacionadas ao trabalho: com 2,33 milhões de mortes registradas em 2014 contra 2,78 milhões de mortes registradas em 2017. As estimativas para este último ano mostram que as doenças cardiovasculares (31%), os cânceres relacionados ao trabalho (26%) e as doenças respiratórias (17%) representam quase três quartos de todas as mortes relacionadas ao trabalho.

Em 2017, assim como em anos anteriores, as doenças são a causa da maioria das mortes ligadas ao trabalho (2,4 milhões de mortes ou 86,3 por cento), em comparação com os acidentes de trabalho fatais (que constituem os restantes 13,7 por cento).

Dados mais atuais indicam que fatores ergonômicos, fatores de risco de lesão, partículas em suspensão, gases, fumos e ruído são as principais causas da incidência de doenças profissionais em todo o mundo. Das 18 exposições medidas no Inquérito sobre a Carga Mundial de Doença de 2016, apenas a exposição ao amianto demonstra ter reduzido entre 1990 e 2016, tendo todas as outras exposições aumentado. Segundo a OMS, as investigações recentes afirmam que cerca de 20 por cento dos casos de dor na zona cervical e lombar e 25 por cento dos casos de perda auditiva em adultos, são causados por fatores de exposição profissional. Estes dados sugerem que a exposição no trabalho aos agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, tradicionais e bem conhecidos, continua a ocorrer em grande escala.

DISTRIBUIÇÃO

Outra informação relevante é que a carga de mortalidade e morbidade profissional não está simetricamente distribuída em todo o mundo. Estima-se que cerca de dois terços da mortalidade profissional global ocorram na Ásia (65 por cento), seguida pela África (11,8 por cento), Europa (11,7 por cento), América (10,9 por cento) e Oceania (0,6 por cento). Estes números refletem a distribuição tanto da população ativa mundial como do trabalho perigoso, e os diferentes níveis de desenvolvimento econômico entre os países. As taxas de acidentes fatais a cada 100.000 trabalhadores também indicam diferenças regionais acentuadas (Gráfico 1), sendo as da África e da Ásia 4 a 5 vezes mais elevadas que as da Europa. Também se observam diferenças nas causas relativas de mortalidade profissional entre regiões (Gráfico 2), embora isso se deva, em parte, às diferenças entre os sistemas de comunicação e registro.

Os países desenvolvidos aparentam ter maior mortalidade profissional devido a cânceres (mais de 50 por cento) e uma proporção muito menor de acidentes de trabalho e doenças infecciosas (menos de 5 por cento). A África possui a maior porcentagem relativa de doenças profissionais transmissíveis (mais de um terço) e de acidentes de trabalho (mais de 20 por cento) e a menor porcentagem para cânceres (menos de 15 por cento).

Estas diferenças regionais em matéria de mortes e doenças profissionais refletem as diferenças em nível social, político, demográfico e profissional entre países e regiões em todo o mundo. Também refletem as diferentes capacidades de gestão dos problemas de segurança e saúde no local de trabalho e as formas com que os governos implementam e executam suas normas de segurança e saúde.

Embora o nú­mero de acidentes de trabalho esteja diminuindo a longo prazo, em nível mundial, esta conquista acaba sendo neutralizada pelo aumento de mortes devido a lesões profissionais, resultantes do aumento de produção nos países em rápido crescimento industrial, sobretudo na Ásia. Os acidentes de trabalho e as doenças profissionais têm forte impacto em nível mundial. Embora o sub-registro de dados de SST comprometa frequentemente a sua confiabilidade, estes dados sugerem que os impactos variam conforme o local onde os trabalhadores moram e trabalham, refletindo desigualdade na exposição ao risco.

(Compilado do relatório Segurança e Saúde no Trabalho no Centro do Futuro do Trabalho – Tirando Partido de 100 anos de Experiência’, lançado em abril de 2019 pela OIT)

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