Histórias divertidas vivenciadas por profissionais de SST – 2020

“Causos da Prevenção” publica alguns fatos vivenciados por profissionais de SST.

Se você tem uma história interessante ou engraçada e quer vê-la retratada na Revista Proteção, envie para [email protected]

Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Seu João – Parte IV
Colaboração do técnico em Segurança do Trabalho Célio César de Oliveira, Montes Claros/MG
Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Conheci seu João em 2001, na fiação e tecelagem da Coteminas, indústria têxtil na qual trabalho desde 1992. Ele havia chegado bem antes na empresa, em 1975. Trabalhou na construção civil, serviços gerais, operador de máquinas, até chegar a monitor, seu maior orgulho. Era muito dedicado ao trabalho, ensinava com afinco aos mais jovens como operar com eficiência e segurança um tear. Tinha uma fisionomia fechada, às vezes, carrancuda. Talvez este fosse o maior tempero para outra qualidade deste intrépido homem: contar histórias.

Entre as histórias contadas, estava a do Borracha, o goleiro elástico da roça, muito bom, alto, ágil e que fazia malabarismos sob as traves. Numa final do campeonato rural, o atleta entrou para a história futebolística da região. A partida se arrastava no zero a zero, resultado que daria o título ao seu time. Aos 45 minutos do segundo tempo, houve pênalti em favor de sua equipe. A expectativa foi enorme, pois o gol sacramentaria de vez o título. Borracha correu para o meio de campo para acompanhar de perto, o atacante (melhor batedor de pênalti da redondeza) bateu firme no canto direito. Porém o goleiro adversário caiu agarrado com a bola, deu um rolamento e desferiu um enorme chutão em direção ao gol adversário.

Naquele momento, houve o maior silêncio registrado numa partida de futebol enquanto a bola viajava em direção ao gol e Borracha corria. Os dois chegaram juntos na área. Borracha, com uma envergadura incrível, deu um salto para trás e, com um tapinha, desviou a bola para escanteio. O salto foi tão incrível que o goleiro passou por cima do travessão, caindo atrás da rede!

Seu João ainda contou muitas histórias até a sua saí­da da empresa em 2005, depois que sua filha se formou em odontologia e seu filho passou no vestibular para medicina. Antes de ir, percorreu todos os setores para se despedir, muito emocionado e emocionando a todos nós. No seu rosto, tinha uma felicidade enorme e aquela sensação de dever cumprido.


Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Seu João – Parte III
Colaboração do técnico em Segurança do Trabalho Célio César de Oliveira, Montes Claros/MG
Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Conheci seu João em 2001, na fiação e tecelagem da Coteminas, indústria têxtil na qual trabalho desde 1992. Ele havia chegado bem antes na empresa, em 1975. Trabalhou na construção civil, serviços gerais, operador de máquinas, até chegar a monitor, seu maior orgulho. Era muito dedicado ao trabalho, ensinava com afinco aos mais jovens como operar com eficiência e segurança um tear. Tinha uma fisionomia fechada, às vezes, carrancuda. Talvez este fosse o maior tempero para outra qualidade deste intrépido homem: contar histórias. E as contava sempre com fisionomia fechada, nunca ria, talvez para dar maior credibilidade aos fatos, que, segundo ele, eram genuinamente verdadeiros.

Por ser um grande caçador, obviamente não poderia faltar uma história de pescador. Certa vez, seu João foi pescar no velho Chico, na região de Pedras de Maria da Cruz, a 135 quilômetros de Montes Claros. Com mais três pescadores, entrou no barco e subiu rio acima em busca do seu peixe predileto, o surubim. Em determinado ponto, o barco foi ancorado para dar início à pescaria. Num momento de desequilíbrio, seu João caiu dentro do rio. Como também era um exímio nadador, rapidamente retornou ao barco. Só então percebeu a perda do estimável relógio de bolso, uma relíquia que pertenceu ao seu bisavô e vinha passando de geração em geração; o próximo da lista seria o seu filho. A pescaria acabou. Enfezado, recolheu as tralhas e retornou para Montes Claros.

Um ano depois, o grupo voltou ao mesmo local para a primeira pescaria depois do episódio do relógio. O barco foi ancorado no mesmo ponto. Aquele dia, sim, era dia do pescador. Vários peixes foram fisgados, entre eles, o mais cobiçado de todos, o surubim. Ao retornarem ao acampamento, imediatamente seu João pegou uma faca e, com uma única estocada, abriu a barriga do surubim. Adivinhem o que estava lá dentro? Pensaram que era o relógio, não é? Erraram feio! Vocês foram enganados como eu também fui. Foi a primeira vez que seu João riu em uma história sua. Ele disse com ar vitorioso: “Perdi o relógio, mas não perco a história”.


Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Seu João – Parte II
Colaboração do técnico em Segurança do Trabalho Célio César de Oliveira, Montes Claros/MG
Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Foi em 2001, na fiação e tecelagem da Coteminas, indústria têxtil na qual trabalho desde 1992, que conheci seu João. Ele havia chegado bem antes na empresa, em 1975. Trabalhou na construção civil, serviços gerais, operador de máquinas, até chegar a monitor, seu maior orgulho. Homem alto, esguio, de andar lento (parecia mancar), que usava óculos e nunca tirava o jaleco cor de creme, foi a figura mais emblemática que apareceu na empresa em todos os tempos. Era muito dedicado ao trabalho, ensinava com afinco aos mais jovens como operar com eficiência e segurança um tear.

Seu João tinha uma fisionomia fechada, às vezes, carrancuda. Talvez este fosse o maior tempero para outra qualidade deste intrépido homem: contar histórias. E as contava sempre com fisionomia fechada, nunca ria, talvez para dar maior credibilidade aos fatos, que, segundo ele, eram genuinamente verdadeiros. Entre as várias histórias que ouvi durante o meu convívio com o nosso contador-mor, está aquela em que, certo dia, ele adentrou no meio da mata com o seu cavalo (o do raio da história da edição anterior). Nisso, avistou um pequeno tatu-canastra que circulava lentamente sobre o mato seco. Como era um grande caçador, ele não perdeu tempo, tirou uma corda que estava amarrada na sela, deu um sobressalto, caindo em cima do pobre bichinho. Com uma agilidade enorme, amarrou o pobre com a corda.

E agora? Não poderia levá-lo vivo. Foi então que teve outra brilhante ideia, deixou o tatu no chão, amarrando uma ponta da corda na sela do cavalo. Saiu em busca de uma enxada para dar cabo do pobre tatu. Ao retornar, mais uma surpresa: encontrou somente as quatro patas do cavalo viradas para cima.

– Como assim? – Alguém perguntou.

Seu João, na maior calma do mundo, complementou:

– Muito simples… O tatu fugiu para o seu buraco levando o cavalo junto…

Outra história é sobre uma pequena plantação de cana que havia no quintal da casa do seu João. O nosso amigo comprou um pequeno engenho para retirar a garapa daquelas preciosidades. No dia da sua folga, cortou a cana, moeu e encheu dez garrafas pet com aquele delicioso líquido. Cansado, deixou encostadas as garrafas no muro da sua residência e foi para o quarto tirar uma soneca. Sono esse devidamente interrompido algumas horas depois por uma forte explosão. O homem saiu correndo assustado para verificar o ocorrido e se deparou com o muro todo caído. A explicação para a queda do muro foi lógica: o sol esquentou, a alta temperatura fermentou o caldo de cana, transformando-o em um potente explosivo.


Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Seu João – Parte I
Colaboração do técnico em Segurança do Trabalho Célio César de Oliveira, Montes Claros/MG
Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Nasci e resido em Montes Claros, cidade com 400 mil habitantes, a capital do norte de Minas Gerais, onde a industrial têxtil Coteminas, em que trabalho há 28 anos, mantém três fábricas: fiação e tecelagem, acabamento e confecção. Fui admitido em 1992 como auxiliar de escritório no setor de Segurança do Trabalho. Em 1996, formei-me técnico em Segurança do Trabalho na Escola Técnica da minha cidade com uma bolsa integral oferecida pela empresa e, até a presente data, me dedico à tarefa árdua, espinhosa, mas muito prazerosa de prevencionista.

Foi na fiação e tecelagem, para onde fui transferido em 2001, que conheci seu João. Ele havia chegado bem antes na Coteminas, em 1975. Trabalhou na construção civil, serviços gerais, operador de máquinas, até chegar a monitor, seu maior orgulho. Homem alto, esguio, de andar lento (parecia mancar), que usava óculos e nunca tirava o jaleco cor de creme (nem para dormir segundo as más línguas), foi a figura mais emblemática que apareceu na empresa em todos os tempos.

Era muito dedicado ao trabalho, ensinava com afinco aos mais jovens como operar com eficiência e segurança um tear. Nunca se esquecia de alertá-los sobre a importância dos estudos; seus filhos (um casal) eram a sua referência: “Viviam para estudar”, dizia ele. Seu João tinha uma fisionomia fechada, às vezes, carrancuda. Talvez este fosse o maior tempero para outra qualidade deste intrépido homem: contar histórias. E as contava sempre com fisionomia fechada, nunca ria, talvez para dar maior credibilidade aos fatos, que, segundo ele, eram genuinamente verdadeiros (parece que conseguia, pois muitos acreditavam).

Uma das histórias que ouvi durante o meu convívio com o nosso contador mor foi a que ele estava na roça, montado em seu cavalo, vistoriando o pasto, quando, de repente, começou um vento forte, trazendo pesadas nuvens de tempestade. A chuva caiu forte, e os raios eram muitos. Seu João galopava o fiel alazão no momento em que um dos raios atingiu a rede elétrica e começou a correr sobre os fios com uma rapidez incrível. Perante a situação, o valente cavaleiro não teve alternativa: esporou o animal, que saiu em uma correria desembestada. A cena foi épica. De um lado, o raio correndo sobre a rede elétrica. Do outro, seu João disparado sobre o seu cavalo (segundo alguns, eles corriam tão rápido que não eram vistos a olho nu). Claro que a experiência do cavaleiro prevaleceu: seu João conseguiu chegar antes que o raio, deu um salto do cavalo e desligou o padrão de energia com toda a segurança. O raio caiu diretamente na terra, causando uma pequena explosão, porém sem maiores problemas. Com este ato heroico, a fazenda foi salva.

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