quinta-feira, 07 de julho de 2022

Entrevista – Proteção a qualquer custo – Ed. 364

Por Daniela Bossle / Editora e Jornalista da Revista Proteção

Engenheiro de segurança com atuação marcante no Nordeste  fala de sua trajetória e opina sobre o cenário atual de SST

Com uma significativa caminhada como engenheiro de Segurança do Trabalho, que já se estende por 36 anos, o pernambucano Fabrício de Medeiros Dourado Varejão, 61 anos, teve a oportunidade de conhecer inúmeras empresas de diversos portes e ligadas a segmentos de atividades variadas como siderurgia, telecomunicações, indústria naval, construção civil, entre outros. Em sua trajetória ocupou cargos técnicos e gerenciais, e já há algum tempo vem atuando como consultor (inicialmente no Sebrae e Sesi e hoje por conta própria), perito judicial e professor de Segurança, Saúde e Higiene do Trabalho em diversas universidades em seu estado.

Na entrevista, Varejão, que esteve à frente de sistemas de gestão nas empresas onde trabalhou, opina sobre diferentes assuntos que permeiam o atual cenário da SST como a implantação do GRO/PGR, a importância de uma análise de riscos bem-feita, o atual processo de revisão de NRs, o eSocial – dizendo, inclusive, não acreditar que o novo sistema possa incentivar a prevenção – entre outros assuntos.

Graduado no início da década de 80 em Engenharia Civil, ele também cursou pós-graduações em Consultoria Empresarial, Engenharia de Segurança do Trabalho, Engenharia de Produção, Política e Estratégia e mestrado em Engenharia Mecânica. Atualmente é professor no IFPE (Instituto Federal de Educação Técnica e Tecnológica de Pernambuco), além de palestrante convidado por diversas outras instituições de ensino.

Sua vivência na área de Segurança do Trabalho lhe permitiu atuar tanto na formação de futuros engenheiros de segurança como também junto ao mercado de trabalho como profissional nas empresas ou mesmo como consultor. Em que estágio o senhor considera que as empresas estão em termos de Segurança do Trabalho?

Em minha trajetória percebi uma estratificação bastante clara no que diz respeito ao comportamento das empresas brasileiras em relação ao tratamento dispensado à Segurança e Saúde do Trabalho. Desde aquelas empresas menores, formais e informais, com poucos empregados, nas quais a prevenção de acidentes não representa ainda um valor, ou por não conhecerem as suas obrigações legais e reponsabilidades sociais, ou mesmo conhecendo, mas preferindo, muitas vezes, apostar na impunidade e não cumprir a legislação em vigor acreditando que não vão sofrer penalidades, até aquelas empresas maiores, formais, com gestão profissionalizada que investem fortemente em equipes especializadas em Segurança e Saúde Ocupacionais, em treinamentos normativos e em sistemas de prevenção de acidentes de alta tecnologia. Nestas empresas se conhecem as consequências danosas que podem advir de um acidente do trabalho ou doença ocupacional e os seus dirigentes tratam o assunto com a devida importância. Em que pesem os esforços de muitos idealistas, infelizmente, as poucas empresas no país que tratam a Segurança do Trabalho como um valor inegociável são poucas, e pelos dados do Sebrae, as Micro, Pequenas e Médias Empresas representam em torno de 92 a 93% das empresas no Brasil, e são estas as que menos fazem o que precisaria ser feito, às barbas do governo. Muito ainda precisa evoluir e a mentalidade da grande maioria dos dirigentes de empresas no Brasil precisa mudar drasticamente e passar a entender que investir hoje em Segurança do Trabalho, muito mais que uma obrigação legal, trará muitos benefícios para o empregado, para a empresa e para o governo.  

Confira a entrevista completa na edição de abril da Revista Proteção.


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