quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Entrevista – Aproximação necessária – Ed. 367

Consultor fala sobre a contribuição da Higiene Ocupacional para a gestão dos riscos e melhoria dos ambientes

Entrevista à jornalista Daniela Bossle

Quando começou o curso Técnico de Segurança do Trabalho no Senac em Santo André/SP, Gustavo Rezende de Souza ainda pensava em fazer Educação Física e tornar-se um personal trainer. Mas sua realidade lhe exigia pés no chão e uma formação técnica que lhe permitisse logo trabalhar e ganhar a vida. Aconselhado por um parente que já atuava no ramo como engenheiro resolveu cursar o Técnico de Segurança do Trabalho. Quando iniciou o módulo de Higiene Ocupacional despertou para a área prevencionista.

Já no mercado de trabalho, como um bom millennial, mudou de trabalho tantas vezes quantas seu coração lhe dizia que tinha de fazê-lo. Estagiou no setor industrial, onde se viu sozinho tendo que tomar decisões, fazer treinamentos, desenvolver programas. Amadureceu e ingressou como TST em empresa de call center, depois em estabelecimento de saúde pública e também em hospital privado. Por oito anos foi instrutor no curso Técnico em Segurança do Trabalho do Senac e desde 2018 tem sua própria consultoria em Segurança e Saúde especialmente voltada para Higiene Ocupacional. Gustavo é bacharel em Ciências e Tecnologias pela Universidade Federal do ABC, engenheiro de Produção pós-graduado em Higiene Ocupacional pela USP, onde também leciona no mesmo curso, e higienista ocupacional certificado. Junto à Universidade Proteção ministra os cursos de HO nas modalidades presencial e EaD e também é jurado do Prêmio Proteção Brasil desde 2017.

Seu trabalho como consultor e instrutor de cursos é focado em Higiene Ocupacional. Muitos profissionais da área de SST ainda consideram a HO difícil. Quais os entraves?

A HO tem um certo entrave porque lida com uma área do conhecimento que está mais vinculada às ciências exatas, naturais e biológicas. Quando fazemos o curso de Segurança do Trabalho, seja em nível técnico ou superior, é muito comum nos depararmos com legislação, procedimentos, gestão, áreas muito mais voltadas para ciências humanas. No caso da Higiene Ocupacional, acredito que seja uma das áreas mais matemática e física da Segurança do Trabalho. Você lida com instrumentação, cálculos, abordagem estatística, química, biologia. Isso remonta a um conjunto de áreas que no Brasil há maior dificuldade, não temos tanta afinidade. Acredito que é um reflexo da nossa formação inicial e como professor vejo que os alunos, do nível técnico ou mesmo engenheiros, muitas vezes, acabam não tendo tanta inclinação para entrar nesta área. Os materiais de HO disponíveis em português até pouco tempo eram escassos, tínhamos alguns livros da editora Senac, da Fundacentro e do antigo Itsemap. Hoje temos uma quantidade de cursos e informações na internet bem mais aprofundadas. A HO não é fácil de explicar. Costumo dizer que ela tem um problema: é muito elitizada. Falam que é para poucos, mas eu não acho que é para poucos. É para todos. Minha missão é tentar trazer a Higiene Ocupacional para próximo das pessoas. É isso que eu tento fazer hoje nos meus cursos, eventos e propagando informações também como digital influencer por meio dos meus canais no YouTube, no Instagram, no Linkedin.

Hoje você já percebe uma aproximação maior dos profissionais de SST com a Higiene Ocupacional?

Há bons exemplos disso sim. Numa empresa que temos contrato há mais tempo, a gestora, que é engenheira de Segurança do Trabalho e fez o curso de especialização em HO comigo, recentemente, me falou: ‘Gustavo, quero fazer este curso porque eu preciso também entender o que está acontecendo na empresa, para poder me aprofundar mais nisto e não depender tanto de você’. Não necessariamente esta pessoa vai trabalhar na área, mas ela quer entender melhor até para contratar um escopo de serviço, uma consultoria. Eu acho isso o máximo porque essa é a visão que as pessoas deveriam ter. Às vezes chego numa empresa e ninguém sabe nada de Higiene Ocupacional. Se eu não fosse uma pessoa ética e transparente naquilo que faço, podia muito bem vender coisas que seriam totalmente desnecessárias para a empresa. Tenho um outro cliente da área metalúrgica em que um dos TSTs é técnico de Higiene Ocupacional Certificado. Ele faz parte do SESMT e correu atrás disso porque estão com um projeto grande de HO e a empresa incentivou que ele fizesse cursos, buscasse aprimoramento. O que quero dizer é que é importante os profissionais terem o conhecimento para poderem questionar, contratar um serviço de mais qualidade e exigir do seu prestador uma entrega mais qualificada.

Confira a entrevista completa na edição de julho da Revista Proteção.


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