sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Covid-19: precaução é a medida – Ed. 343

Prevencionistas mobilizam-se para garantir retorno ao trabalho com segurança e saúde

Até o fechamento desta edição de julho da revista Proteção, a plataforma do Ministério da Saúde sobre o cenário da Covid-19 no Brasil registrava 1.085.038 casos e 50.617 óbitos decorrentes da doença. Embora o aumento dos números ainda represente motivo de grande preocupação no País, a retomada gradual ao trabalho daqueles profissionais que ficaram em home office ou de outras formas afastados do meio ambiente ocupacional é tema cada vez mais recorrente e motivo de alerta no meio prevencionista. Nesse momento, precaução é palavra de ordem, para que as contaminações e mortes não aumentem entre os trabalhadores e a sociedade em geral.

A Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia publicou, no dia 19 de junho, a Portaria nº 20, estabelecendo medidas a serem observadas visando prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19 nos ambientes de trabalho. Os pontos abordados no documento incluem: orientações gerais aos trabalhadores; conduta em relação aos casos suspeitos e confirmados; higiene das mãos e etiqueta respiratória; distanciamento social; higiene, ventilação, limpeza e desinfecção dos ambientes; atenção diferenciada aos trabalhadores do grupo de risco; cuidados a serem tomados em refeitórios, no transporte fornecido pela organização e nos vestiários; equipamentos de proteção e uso de máscaras; e medidas para a retomada de atividades. Tais orientações não se aplicam aos serviços de saúde, para os quais devem ser observadas as orientações e regulamentações específicas. Acesse: https://bit.ly/37HWuTz.

PROTOCOLO

O Sesi (Serviço Social da Indústria), por sua vez, produziu um protocolo para orientar as empresas em planos de retorno e aumento gradual e seguro das atividades produtivas em tempos de Covid-19 (https://bit.ly/37ybCTc). O documento, que está disponível gratuitamente no Portal da Indústria, foi elaborado por médicos do Trabalho, engenheiros de segurança, epidemiologistas, psicólogos e outros especialistas da entidade. Reúne recomendações e melhores práticas referendadas por órgãos nacionais e internacionais de saúde com parâmetros para que empresas façam adequações no ambiente de trabalho.

São orientações, por exemplo, sobre novos layouts dos espaços, novas rotinas, medidas de limpeza e higiene e serviços de saúde que podem ser adaptados às realidades específicas de cada empresa, de acordo com seu porte, ramo de atividade, quadro epidemiológico e capacidade de investimento. “O Sesi se debruçou sobre as melhores práticas que estão sendo adotadas por governos e pelas empresas ao redor do mundo para a preservação da saúde do trabalhador durante a pandemia da Covid-19, ao mesmo tempo em que se busca a manutenção de emprego e renda. O protocolo reforça a necessidade de empresas seguirem as recomendações da Organização Mundial da Saúde e das autoridades locais para o efetivo combate à contaminação pela Covid-19”, destaca o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Braga de Andrade.

O retorno gradual de atividades não essenciais também motivou a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) a lançar um guia para auxiliar os empresários do segmento no processo, com sugestões práticas nas áreas sanitária, trabalhista, tributária e financeira (https://bit.ly/3fyMVsF). O material foi produzido a partir de informações e documentos oficiais de órgãos de saúde, instituições públicas e privadas e do Governo Federal. “O cronograma sugerido pela CNC é feito de quatro etapas, que abordam o risco de aglomeração, o atendimento a grupos de risco, essencialidade do serviço e potencial contato físico com clientes”, explica o presidente da entidade, José Roberto Tadros.

Mobilizações por EPIs

As queixas dos profissionais da área de saúde sobre a carência de Equipamentos de Proteção Individual no combate ao novo coronavírus continuam durante a pandemia. Conforme dados da plataforma (https://amb.org.br/epi/) da AMB (Associação Médica Brasileira), até o fechamento desta edição, eram 3.770 denúncias, sendo os EPIs mais em falta: máscara tipo N95 ou PFF2 (85%), óculos ou face shield (66%), capote impermeável (65%), gorro (42%), álcool gel (33%), luvas (25%) e outros (24%). Os três estados que mais registravam reclamações eram São Paulo (1.351), Rio de Janeiro (417) e Minas Gerais (385).

Mobilizada no sentido de reverter o quadro, a Animaseg (Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho), em uma campanha de solidariedade para combater a Covid-19, reuniu fabricantes nacionais na intenção de doar um milhão de máscaras de proteção respiratória descartáveis do tipo PFF2 (N95) para o Ministério da Saúde. O primeiro lote de 250 mil unidades fabricadas pelas empresas Air Safety, Alliance, Camper, Carbografite, Delta Plus, KSN, Lubeka, Plastcor e Tayco foi entregue em 9 de junho na Coadi (Coordenação de Armazenamento e Distribuição Logística de Insumos Estratégicos para a Saúde) em Guarulhos/SP.

Levantamento da Animaseg embasado na divulgação do portal do MS sobre a quantidade de EPIs distribuídos aos Estados aponta que o governo entregou, do início da pandemia até o fechamento desta edição, um total de 3,3 milhões máscaras PFF2. De acordo com a entidade, o Brasil conta com 28 empresas fornecedoras do EPI aptas e em conformidade com as normas técnicas exigidas, que suprem a demanda do mercado pelo EPI de proteção respiratória. Segundo dados apurados com as fornecedoras, a capacidade produtiva é em torno de 40 milhões de máscaras PFF2 por mês.

INICIATIVAS

Organizações, universidades, instituições públicas e privadas em todo o País têm desenvolvido iniciativas para abastecer emergencialmente hospitais que sofrem com falta de equipamentos para os que estão na linha de frente do combate à pandemia.

O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), por exemplo, selecionou um grupo de 250 empresas para receberem mentoria gratuita para fabricar EPIs, pivotar ou ampliar a produção existente. O treinamento online, que tem duração de oito horas, ficou a cargo da rede de 27 institutos de Inovação e 60 institutos de Tecnologia da entidade distribuídos pelo País com orientação sobre fabricação de máscaras e aventais hospitalares, protetores faciais, máscaras domésticas, entre outros. Nova chamada do edital para prestar mentoria gratuita às empresas que quiserem fabricar EPIs, adaptar ou ampliar a produção existente informa que as inscrições vão até 17 de julho, no site do Edital de Inovação para a Indústria. As orientações ocorrerão até 21 de agosto e empresas de todos os portes podem se inscrever em https://bit.ly/3ehUzaK.

Já a plataforma Protege BR (https://protegebr.org/) conta com mais de 200 iniciativas de produtores, os chamados makers, e ajuda na conexão com hospitais, profissionais de saúde e secretarias de saúde que precisam dos Equipamentos de Proteção Individual e outros materiais. A rede conecta produtores de suprimentos desde os mais simples, como máscaras caseiras, óculos de proteção, aventais, capotes e face shields, até peças sofisticadas como ventiladores respiratórios, laringoscópios e tubos para respiração. A realização é da Olabi, uma organização que trabalha pela democratização das novas tecnologias com apoio do Google.org e da Ford Foudation.

A ferramenta online EPIMatch, por sua vez, foi criada para facilitar a comunicação entre fornecedores de EPIs e instituições de saúde. A plataforma conta com 235 empresas, que comercializam máscaras, óculos de proteção, gorros, propés, aventais, álcool gel, etc. Ela foi desenvolvida pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) em parceria com a Microsoft e a Radix e para acessá-la basta fazer o cadastro no site https://epimatch.abdi.com.br/.

Importância dos SESMTs na prevenção

O fenômeno e o cenário da Covid-19 nunca foram experienciados pelos SESMTs das empresas, quer pelas suas características totalmente diferenciadas de previsibilidade e conhecimento dos aspectos intrínsecos da pandemia, quer pela dificuldade/impossibilidade da utilização de ferramentas tradicionais preventivas da Segurança e Saúde do Trabalho, dentre as quais, a eliminação do agente (biológico no caso) e a adoção (eficaz) de algumas medidas coletivas clássicas. A afirmação é do consultor em SST e engenheiro de Segurança do Trabalho Roque Puiatti, que foi auditor fiscal por mais de 30 anos.

Ele complementa que os ambientes de trabalho e as formas nas quais as atividades são desenvolvidas vêm sendo redesenhadas em função do risco da doença, impactando no processo produtivo. “Neste momento, pode o SESMT agregar sua expertise de SST com a estrutura diretiva e operacional da empresa na definição e busca de formas em que as atividades sejam realizadas em condições que protejam a saúde dos trabalhadores da contaminação pelo novo coronavírus”, ressalta.

Conforme Puiatti, o agente biológico Covid-19 necessita ser bem compreendido pelos profissionais do SESMT, tendo como base informações advindas da OMS, Anvisa, Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, Fundacentro, órgãos de saúde estaduais e municipais (Cerest) e agências de países como os Estados Unidos (OSHA) e a Grã-Bretanha (HSE). “A atuação nesse contexto deve ser fundamentalmente multidisciplinar e transversal, com a assessoria, quando necessário, de profissionais de áreas como infectologia e epidemiologia, com articulação de setores de recursos humanos (sobre trabalhos em home office, afastamentos de trabalhadores de grupos de risco), com a CIPA, para inspeções preventivas no ambiente de trabalho e auxílio para se evitar aglomerações e se observar o distanciamento seguro. Também é importante a interface com setores de higienização dos locais de trabalho e diálogo com sindicatos de trabalhadores”, destaca.

PLANO

O consultor afirma que a construção do plano de contingência é um ponto de partida precursor da estratégia de prevenção da Covid-19 e deve ser estruturado em bases sólidas: com a utilização de fundamentos e a significação da expressão ‘contingência’, com definição dos princípios para atuação e gestão, objetivos, responsabilidades, recursos, formas de atuação, utilização de ferramentas de análise de riscos, medidas coletivas, organizacionais e individuais, indicadores, formas de monitoramento de casos suspeitos ou confirmados, investigação dos casos e adoção de medidas legais, de apoio assistencial, médico e psicológico aos funcionários, entre outros. “Devendo ser um instrumento dinâmico da organização para o enfrentamento da pandemia na empresa e em seu ambiente de trabalho”, frisa.

Segundo Puiatti, o monitoramento e o consequente acompanhamento de casos de funcionários suspeitos ou contaminados devem ser feitos em tempo real, para se evitar a propagação do novo coronavírus em todo o ambiente de trabalho, com a imediata adoção de medidas preventivas de saúde do trabalho, apoiadas com informações de áreas da medicina, como infectologia. “Nos trabalhos em home office devem ser acionados instrumentos e expertise da área da Ergonomia, visto a velocidade e a intensidade que esta forma de trabalho está sendo utilizada durante a pandemia”, orienta.

Para o consultor, uma das lições da pandemia – “e os resultados de contaminação de trabalhadores nos locais de trabalho estão a expressar isto, especialmente em alguns setores econômicos” – é que o modelo de SESMT atual e seus programas preventivos não deram conta das necessidades advindas da Covid-19. “O conceito de contingência deve ser obrigatoriamente incorporado ao mundo da SST do pós-pandemia, com o aprendizado de seu significado, planejamento, multidisciplinaridade e transversalidade, ferramentas e modelagens de atuação, operacionalização, formas de monitoração e resultados, capacitação de recursos humanos, dentre outros aspectos”, defende.

ENGAJAMENTO

Experiência relevante de engajamento do SESMT durante a pandemia da Covid-19 no que diz respeito às ações de prevenção é a da Copel (Companhia Paranaense de Energia). O gerente de Segurança e Saúde do Trabalho da empresa, o engenheiro de segurança Oneil Schlemmer, relata que a mobilização pela prevenção teve início já em fevereiro, com a comunicação dos sinais de alerta e meios de prevenção. Em março, com a chegada ao nível de pandemia, foi instituído um comitê formal incluindo diretoria, SESMT e gestores estratégicos.

Oneil complementa que, imediatamente, foram afastados os funcionários integrantes de grupos de risco. Na sequência, foram otimizados os recursos para que o grupo de apoio administrativo e mesmo outras funções pudessem passar para a modalidade de home office. Paralelamente, áreas críticas para a prestação do serviço essencial desenvolveram estratégias para aumentar distanciamento entre os trabalhadores, isolar equipes e adequar horários de trabalho para que as medidas de prevenção pudessem ser garantidas a todos. “Em poucos dias, houve uma grande alteração na rotina, com o trabalho à distância de boa parte dos funcionários e o estabelecimento de turnos diferentes com horário reduzido em equipes que mantiveram o trabalho presencial, gerando ambientes muito menos ocupados. Algumas áreas mais críticas, como os centros de operação da geração de energia, transmissão e distribuição, tiveram inclusive a divisão dos locais de trabalho para garantir equipes mais isoladas e seguras”, conta. A busca de equipamentos de proteção adequados também se deu na Copel, incluindo material para higiene, como álcool 70% e máscaras.

TESTES

 A companhia ainda implantou um protocolo de testes dividido em dois grupos. Para o primeiro grupo (empregados de centros de operação e áreas críticas), são feitos regularmente testes tipo PCR para monitoramento e detecção de possíveis contaminados no início da doença, reduzindo a possibilidade de contágio dos demais. Para o segundo grupo (demais empregados trabalhando nas instalações da empresa), são realizados testes rápidos para todos os sintomáticos e com quem fizeram contato. Em ambos os casos, os empregados são colocados em quarentena, com acompanhamento constante dos profissionais da Saúde Ocupacional.

“O primeiro desafio foi justamente a análise das necessidades individuais, o enquadramento de diversos tratamentos médicos como risco ou não para a doença e a compatibilização com o trabalho. O segundo foi o estabelecimento de um protocolo de avaliação e testes de funcionários com sintomas compatíveis com a Covid-19, tanto para proteção de sua saúde, como a de colegas”, afirma Oneil. Ele acrescenta que a disponibilidade e mesmo o conhecimento sobre os exames complementares, como o teste rápido, geraram a necessidade de atualização de toda equipe de saúde nesse período, envolvendo também as equipes do plano de saúde que atende à empresa. Hoje, com o crescimento gradual de casos, o desafio é manter o monitoramento de todos os que possam ter contato com pessoas doentes, estabelecendo quarentena ou isolamento e a avaliação por telemedicina.

“Outro desafio foi a implantação do home office, feito de forma abrupta, sem o tempo desejável para a adequada estruturação desse sistema de trabalho, tanto em relação à estrutura, quanto em relação à adaptação particular de cada indivíduo à nova realidade”, lembra. Acrescenta que, vencido esse primeiro momento, foi iniciado um grande movimento de apoio a esses empregados, tanto para melhorias nas questões ergonômicas, uma vez que a grande maioria não estava acostumada e nem estruturada para o trabalho em home, quanto relativo a questões envolvendo saúde mental, devido ao grande impacto, não apenas na mudança de hábito no trabalho, mas, também, à mudança em toda sua rotina de vida devido ao isolamento social.

Entre os resultados alcançados até o momento, o gerente de SST destaca que a empresa conseguiu um mecanismo de monitoramento de casos, indicação de afastamentos preventivos e controle estatístico importante, veiculando as informações de forma transparente para todos os funcionários e gestores, dentro dos preceitos éticos de sigilo e privacidade individual. “A oportunidade de fazer testes para a doença gera uma tranquilidade adicional para todos que se mantêm na linha de frente, em serviços considerados essenciais. Porém o desafio será mantermos o mesmo nível de atenção com um aumento gradual de casos, afetando invariavelmente um maior número de pessoas, trabalhadores e seus familiares”, afirma.

RETORNO

No que diz respeito ao retorno seguro dos funcionários que ficaram em quarentena e/ou home office, Oneil relata que foi estabelecido um programa que define as medidas de adequação do ambiente de trabalho para reincluir esses profissionais, mas respeitando as ações de prevenção, como o distanciamento mínimo entre mesas, ventilação adequada, medidas para se evitar aglomerações. Também fazem parte do mesmo plano formas de triagem mais ágeis, como a medição de temperatura, evitando-se a exposição a doentes. Para possibilitar a adequação gradual e principalmente a identificação de pontos que necessitem intervenção e correção, foi estabelecido um cronograma para retorno gradual e fracionado, respeitando-se, também, as questões sociais, como a necessidade do cuidado de filhos que estejam sem escola, e as questões médicas, como o risco maior de determinados grupos.

Conforme o gerente de SST, até o fechamento desta edição da revista, a Copel tinha 2.695 funcionários trabalhando nas unidades de todo o Paraná; 638 funcionários em home office intermitente; 3.740 funcionários em home office integral e 267 funcionários afastados. “Esta pandemia nos forçou a sair da zona de conforto, implantando várias ações de forma emergencial, mas que, com o decorrer do tempo e a evolução alcançada, muitas deixarão de ser temporárias e farão parte do dia a dia da companhia, representando grande avanço no modo de trabalho e relação empregado-empresa”, conclui.

Antecipação como estratégia na Suzano

Outra atuação relevante do SESMT nas ações de prevenção contra a Covid-19 é a da Suzano (papel e celulose). A empresa comercializa produtos para mais de 80 países e tem escritórios ou equipes locais em praticamente todos os continentes, o que possibilitou um acompanhamento de forma mais próxima da crescente e acelerada proliferação de casos do novo coronavírus no mundo. “Já no mês de janeiro, identificamos a gravidade da situação e começamos a tomar medidas para enfrentar o que estaria por vir. Antecipamos discussões internas e, graças a isso, desde o início do agravamento da situação no Brasil, tomamos inúmeras medidas preventivas para garantir a saúde e a segurança dos nossos colaboradores, terceiros e seus familiares e para manter a continuidade da produção da matéria-prima essencial”, afirma o gerente executivo de SST da empresa, o engenheiro de segurança Marcelo de Mello Martins.

Segundo ele, a Suzano foi uma das primeiras empresas do Brasil a fechar os escritórios administrativos. “Todas as áreas cuja presença in loco não se mostrava necessária naquele momento para o funcionamento das operações passaram a trabalhar em formato home office. O mesmo aconteceu com pessoas com 60 anos ou mais, gestantes e portadores de doenças crônicas”, relata.

Entre as medidas adotadas nas unidades da empresa para garantir a SST, Marcelo lista a distância mínima entre os colaboradores em áreas comuns, casos de refeitórios e ônibus, com redução de 50% na ocupação desses veículos; a distribuição de refeições individuais; a medição da temperatura corporal de colaboradores; a ampliação de ações de higiene e limpeza; a distribuição de máscaras e álcool em gel para colaboradores e de máscaras para familiares; a implementação de testes rápidos para verificação de condições de retorno ao trabalho; a inspeção in loco para verificação da efetividade das medidas preventivas; e o afastamento imediato de qualquer pessoa com sintomas da Covid-19, assim como de pessoas que eventualmente tenham tido contato com esses colaboradores.

Paralelamente, foi adotado um plano de comunicação focado na conscientização e disponibilizado suporte de psicólogos e assistentes sociais a todos os colaboradores e familiares. Além das medidas adotadas para o combate à propagação da Covid-19, a empresa implementou medidas para o tratamento de pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus. “E quando falamos especificamente da área de SST, todas as ações continuadas da área foram mantidas, embora adequadas para esse novo momento. Os treinamentos de segurança, por exemplo, foram feitos de forma remota, online, as inspeções de segurança foram feitas a partir de câmeras de segurança e os DDS (Diálogos Diários de Segurança), por videoconferência”, relata.

AJUSTES

Marcelo afirma que a necessidade de ajustes constantes e ágeis é uma preocupação permanente da área de SST da Suzano. “Embora soubéssemos, desde o início, da gravidade da pandemia, ainda não havia clareza, em janeiro, das proporções que ela poderia tomar no Brasil. Tampouco tínhamos essa riqueza de informações sobre as melhores práticas de prevenção. Por isso, fomos gradativamente adotando novas medidas para seguir as determinações estabelecidas pelos órgãos de saúde no Brasil e no mundo e garantir a saúde e segurança dos colaboradores. Acredito que, hoje, os protocolos que implementamos em nossas unidades e a segurança garantida a nossos colaboradores sejam nossa maior conquista”, ressalta.

Ele acredita que a batalha está sendo vencida a partir das medidas implementadas para a segurança dos colaboradores da empresa e seus familiares. “Nossa principal conquista é a preservação da vida. Até o momento, não tivemos nenhum óbito entre nossos mais de 14 mil colaboradores diretos, felizmente. Também consideramos uma vitória o sentimento de segurança de nossos colaboradores dentro das instalações da companhia”, afirma.

MANUAL

O gerente executivo de SST afirma que a Suzano continuará seguindo as orientações dos governos federal, estaduais e municipais e das autoridades de saúde mundiais e qualquer iniciativa de retomada das atividades administrativas, portanto deverá seguir essas premissas. Complementa que, embora ainda não haja uma posição definitiva sobre quando o retorno será possível, a empresa já criou um manual que especifica todas as medidas de prevenção que deverão ser tomadas quando o retorno for definido.

Aumento de casos na mineração preocupa

Auditores fiscais da SRT/MG (Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais) interditaram, em 27 de maio, as minas Conceição, Cauê e Periquito, da Vale, em Itabira após denúncia que apontava alto índice de empregados contaminados pela Covid-19. De acordo com a auditora fiscal Odete Reis, desde 18 de maio, a empresa vinha submetendo seus empregados a testes para o novo coronavírus. Do total de empregados testados, 188 tiveram resultados positivos, o equivalente a 8,7%. “O número representa um alto índice de contaminados, que se compara apenas às regiões que apresentam altas taxas de contaminação no País”, relata.

Anteriormente, o MPT em Minas Gerais já havia ajuizado ação civil pública pedindo liminarmente a suspensão das atividades no complexo até a conclusão da testagem de empregados para o novo coronavírus. Mas a liminar não foi deferida pela 2ª Vara do Trabalho de Itabira e a mineradora seguiu funcionando, mesmo com alto índice de empregados contaminados e fragilidades em seus procedimentos de proteção contra a doença.

INSPEÇÃO

Em inspeção in loco feita pela AFT no dia 25 de maio, foram identificadas, conforme relatório, várias irregularidades sanitárias que colocavam os empregados e terceirizados em risco. Entre elas, situações potencializadoras da contaminação pela insuficiência de medidas de controle, principalmente relacionadas a falhas na vigilância epidemiológica e nas medidas de distanciamento entre os trabalhadores.

Odete explica que as principais irregularidades foram constatadas nas rodoviárias das minas, durante a troca de turnos, com aglomeração de empregados. Além disso, o transporte dos mineradores estava sendo feito em vans com marcação de distanciamento de lugares de apenas 60 centímetros quando o recomendado pelos órgãos de saúde é, no mínimo, um metro. Também foi identificada pela fiscalização falta de controle e higienização em diversas áreas da empresa.

Diante do cenário, foi determinada a interdição de todo o complexo minerador de Itabira até a implementação de medidas adicionais para conter a disseminação do vírus. Entre as medidas exigidas pela fiscalização, estavam a testagem de todos os trabalhadores e das empresas terceirizadas, a implementação de um programa de vigilância epidemiológica e melhorias relacionadas ao distanciamento social.

DESINTERDIÇÃO

No dia 17 de junho, os auditores fiscais retornaram ao complexo minerador após a empresa pedir a suspensão da interdição e, depois de nova inspeção, desinterditaram as três minas ao constatarem atendimento às recomendações contidas no relatório para proteção dos trabalhadores. Conforme Odete, entre as principais medidas adotadas, foi feito protocolo para troca, guarda e higienização de máscaras e substituição de vans por micro-ônibus ou ônibus para transporte interno dos trabalhadores até as frentes de trabalho, assegurando o distanciamento mínimo de um metro entre cada trabalhador.

Complementa que também foram instaladas barreiras físicas em locais onde possa haver filas; houve definição e normatização de áreas de circulação; reforço das marcações de distanciamento entre pessoas; implantação de direcionadores de fluxo nas áreas comuns; contratação de empresa terceirizada para disponibilização de mão de obra dedicada à vigilância dos ambientes comuns (denominado fiscal de boa conduta), tais como rodoviárias, restaurantes, controle de acesso a vestiários e banheiros, trocas de turnos, para evitar aglomerações.

Também haverá continuidade na realização de testes rápidos para o novo coronavírus. Foi feito, ainda, um estudo analítico dos resultados do primeiro ciclo de testagem, sendo que será dada prioridade para o início do reteste nas atividades/locais em que houver maior incidência de trabalhadores testados positivos para IgM. “Dessa forma, todos os empregados lotados na mina Cauê e nas empresas terceirizadas onde os números de testes com resultados positivos foram mais elevados serão testados antes de retornarem ao trabalho”, detalha.

Conforme a auditora fiscal, após a conclusão do terceiro ciclo dos testes, será feito estudo epidemiológico, analisando os seus resultados e o processo de testagem. O objetivo é sugerir melhorias no fluxo de testagem e medidas de controle ao novo coronavírus, detalhando, entre outros, os casos e prevalências de soropositivos, morbidade, mortalidade, afastamento e desfechos, projeções da epidemia na população da Vale, determinação dos fatores de riscos ocupacionais, sociodemográficos e local geográfico.

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