quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Prêmio Proteção Brasil 2018 – Cases Segurança com Eletricidade

HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN

De olho no planejamento

Atividades que envolvem o uso de eletricidade, sejam com alta ou baixa tensão, representam riscos importantes em empresas de segmentos variados. Choques elétricos e queimaduras estão entre as principais ocorrências que ameaçam a integridade e a vida de trabalhadores que não contam com medidas eficazes de segurança e saúde no seu dia a dia.

Alcançando a marca de zero acidentes com eletricidade, os cases premiados nesta categoria focaram em um planejamento detalhado, com metas que precisaram de alguns anos para serem concluídas.

Confira um pouco sobre a metodologia e os resultados conquistados a partir da adoção de medidas de controle em serviços elétricos em empresas de diferentes segmentos. A Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, de São Paulo/SP conquistou o prêmio Ouro e a Jaguar Land Rover Brasil, de Itatiaia/RJ ficou com a Prata na categoria.

Unindo inovação e visão diferenciada dentro de uma instituição hospitalar, o case `Risco com Média Tensão – Uma Realidade Controlada no HIAE’ rendeu a distinção Ouro para a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, de São Paulo/SP.

“O projeto tem uma história bem definida. Nasceu com a necessidade de garantir estrutura para o crescimento da instituição, em especial, a unidade do Morumbi. Foi realizado um diagnóstico especializado das oportunidades e ações necessárias em 2014 e as ações começaram a ser implantadas”, recorda Regis Gund, coordenador de Sistemas de Potência na organização.

As avaliações culminaram no Plano Power, pensado para tornar os sistemas elétricos das unidades do Hospital Israelita Albert Einstein mais seguros. A entidade contratou empresa especializada para uma avaliação técnica, que revelou a necessidade de adequações para corrigir a sobrecarga na maioria das subestações alimentadoras dos prédios, que ocorria devido a vulnerabilidades no Sistema Elétrico de Potência do hospital. A ação foi realizada ao longo de cinco anos, considerando três etapas: desenho da estratégia do projeto; definição do escopo e premissas de execução e plano de trabalho.

O plano de trabalho incluiu ações importantes, como melhoria na alimentação de energia em uma subestação e fornecimento de energia em duas barras, com backup de alimentador para os prédios de um complexo – o que tornou os painéis elétricos mais seguros e ágeis, possibilitando o controle do sistema operacional de forma remota. Blocos ganharam geração de emergência e segurança, a partir de ações como a substituição de painéis de média tensão obsoletos e a adoção de medidas de proteção.

CONTROLE
Uma delas foi o controle de energias perigosas, pensado com base na metodologia internacional LOTO (Lockout & Tagout). Essa ferramenta é usada para prevenir acidentes com eletricidade por meio do controle de energias, sempre que existe o risco de energização inesperada. Norteado, principalmente, pelas exigências das Normas Regulamentadoras 10 e 12, o programa tem sido aplicado nas fases de projeto, instalação, execução, desativação, operação e manutenção.

“A implantação do Plano Power foi mais que uma mudança física, foi uma mudança cultural. Os eletricistas não agem errado porque acreditam que fazer certo é melhor. Porque acreditam que, se fizerem certo, vão manter a integridade dos trabalhadores e dos equipamentos. Eles usam o LOTO, usam os bloqueios porque conhecem sua eficácia”, ressalta Gund.

A aquisição de dispositivos de bloqueio foi outro ganho do case, uma vez que esses equipamentos são capazes de isolar a energia, mantendo o ambiente seguro. Um exemplo do uso destes dispositivos ocorre no impedimento da energização inesperada de máquinas, que pode causar acidentes graves e até fatais, caso algum trabalhador ou paciente esteja próximo ao maquinário energizado.

O bloqueio de energias perigosas pode estar presente por meio de válvulas, painéis elétricos e outros equipamentos. Centenas de estações de bloqueio foram distribuídas pelas unidades do hospital, priorizando locais que facilitem o uso cotidiano, com espaço físico disponível, que não atrapalhem o acesso e fiquem visíveis para inspeção.

INVESTIMENTOS
João Paulo Rodrigues Gomes, engenheiro e supervisor de segurança do Hospital Israelita Albert Einstein, observa como diferencial, a atenção dada a questões de segurança com eletricidade, uma área que não tem relação direta com profissionais de saúde. “Muita gente acaba não enxergando que, para manter as condições de segurança, não apenas dos trabalhadores, mas também dos pacientes, precisamos investir na parte elétrica, em obras, manutenção e outros setores. Acho que o que chamou mais atenção nesse trabalho foi o fato de, dentro de um hospital, falarmos sobre segurança com energia, apostarmos num sistema próprio de geração de energia elétrica. Ver um investimento como este, em unidades de saúde, não é comum. Outros hospitais não costumam ter este enriquecimento da cultura na parte de segurança com eletricidade”, aponta.

O resultado dessa iniciativa foi a não ocorrência de acidentes com eletricidade, fruto do envolvimento da equipe de SST, manutenção e direção. O empenho de todos foi reforçado com investimentos de R$ 200.000 para a compra de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual); aquisição de sistemas de bloqueio e etiquetagem para energias perigosas (R$ 62.935 em 2016 e R$ 133.100 em 2017); adequações nas subestações (R$ 31.000.000 em 2015; R$ 27.000.000 em 2016;  R$ 25.000.000 em 2017 e previsão de  R$ 6.000.000 em 2018). Com esses valores, o hospital se beneficiou de equipamentos mais modernos, melhorias na estrutura física dos ambientes, controle de acesso, câmeras de acompanhamento via central e automação de processos.

Em 2017 também foram investidos R$ 30.620 em capacitações previstas na NR 10 para os colaboradores – formação, reciclagem e SEP (Sistema Elétrico de Potência). Em 2018, a previsão é que o montante dedicado aos cursos seja de R$ 26.490.

JAGUAR LAND ROVER

O valor da experiência

Segurança pensada desde a construção da fábrica. Esse é um dos diferenciais do case `Destination Zero em Eletricidade’, da Jaguar Land Rover Brasil de Itatiaia/RJ, que obteve a distinção Prata na categoria. O início do trabalho data da idealização da planta, em 2014, quando foi formado um Comitê responsável pelo acompanhamento da segurança com eletricidade. “Nossa primeira ação, quando estávamos construindo a fábrica, foi montar um comitê para discutir o assunto, a NR 10 e, a partir da experiência de todos os participantes, pudemos começar certo. Então, o resultado que temos hoje é fruto da experiência”, comentou o engenheiro eletricista, Rafael Gauazzi, membro do Comitê da NR 10.

O nome do case faz referência ao Programa Destination Zero, adotado pela companhia para expressar sua jornada rumo ao zero acidente. Assim, um conjunto de procedimentos foi pensado com base nas melhores práticas do mercado e nas Normas Regulamentadoras 10, 12, 17, 20, 33 e 35. Inicialmente, o Comitê fez um levantamento e identificou 100 não conformidades no projeto da fábrica. Metade delas foi tratada antes do início das operações, e a outra metade como não oferecia riscos às pessoas (por exemplo, documentações) foi incluída com a linha de produção já em funcionamento.

MULTIDISCIPLINAR
Processos seguros para acesso aos ambientes de trabalho, bloqueios de energia, proteção coletiva e individual e maquinários foram estabelecidos, com participação direta de uma equipe multidisciplinar – formada por profissionais de SST, Emergência e Manutenção. “Observando as atividades na fábrica, percebemos que o time de Manutenção trabalha com uma postura destacada com relação à saúde e segurança. Nas atividades de elétrica, a experiência que tivemos com auditorias externas e internas foram também muito positivas. Consideramos que esse time faz um trabalho diferenciado, e decidimos compartilhar essa prática”, observou a gerente de SST da planta e médica do Trabalho, Simone Santos.

No total, 52 pessoas, entre membros do Comitê e demais profissionais envolvidos em serviços com eletricidade receberam treinamentos exigidos na NR 10. Assim, os trabalhadores estavam aptos a acompanhar, fiscalizar e auxiliar a gerenciadora responsável pela construção da unidade Jaguar Land Rover na cidade de Itatiaia.

“Apesar da Jaguar Land Rover ter contratado uma empresa para gerenciar o projeto e a construção, nós, como funcionários JLR, fizemos as auditorias, inspeções e acompanhamento próximos dos executantes e, desta forma, conseguimos detectar alguns desvios que foram corrigidos antes da conclusão da obra, assim garantindo que no futuro, não acontecesse nenhum acidente”, contou o engenheiro eletricista Valdir Moraes, também membro do Comitê da NR 10.

Extrapolando as exigências legais para segurança com eletricidade, a equipe realizou levantamentos como o estudo de campo elétrico e magnético da subestação, com o objetivo de garantir que a exposição a esses campos não estivesse afetando a saúde dos trabalhadores ou da comunidade no entorno da fábrica.

“Todas essas ações, que envolvem 100% dos trabalhadores próprios e terceiros, contribuíram para que a obra de construção da unidade finalizasse com a marca de pouco mais de 2.250.000 horas trabalhadas, sem acidentes com eletricidade. E, desde sua inauguração, a fábrica já acumula mais de 2.000.000 horas trabalhadas sem nenhum acidente ou quase acidente com eletricidade”, observou Suellen Mendes, técnica de Segurança do Trabalho.

CULTURA
Medidas de proteção coletiva, com sinalização adequada, conscientização quanto ao comportamento e proteção individual, com EPIs de qualidade, também ganharam destaque durante o desenvolvimento do case. “Tivemos a oportunidade de criar uma cultura correta desde o primeiro dia. O grande diferencial é o envolvimento de todos para garantir que essa cultura permaneça. Queremos que as pessoas realmente se apropriem da responsabilidade de se manter seguras”, concluiu a gerente de Recursos Humanos da empresa, Raquel Henriques.

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