quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Prêmio Proteção Brasil 2018 – Cases Higiene Ocupacional

NISSAN DO BRASIL

Calor sob controle

Zero ocorrência de doenças provenientes do calor ocupacional e zero absenteísmo por causa de problemas envolvendo tal agente de risco são alguns resultados importantes do programa `Calor sob Controle’ da Nissan do Brasil. Após a implantação de medidas de redução de temperatura em sua planta localizada em Resende/RJ, a indústria de veículos também teve sua produtividade aumentada de 28 para 32 JPH (job per hour). As ações, adotadas a partir de 2015, um ano após a inauguração da fábrica própria, ainda contribuíram para que, em 2016, a unidade obtivesse o melhor resultado em segurança entre todas as Nissan das Américas, se aproximando de ser o melhor resultado também entre as plantas da Europa e do Japão. Outra conquista celebrada foi o troféu Ouro na categoria Higiene Ocupacional do Prêmio Proteção Brasil 2018.

Diferentemente de outros setores industriais, como siderúrgicas, em que o calor está presente no processo produtivo, na Nissan do Brasil, este agente de risco ocupacional está relacionado a fatores atmosféricos. Por isto, a Nissan desenvolveu um programa voltado para a prevenção de doenças e acidentes de trabalho decorrentes do calor no ambiente laboral.

Presente no Brasil desde o ano 2000, a multinacional japonesa inaugurou seu parque industrial inteiramente próprio em abril de 2014, no município de Resende/RJ, onde hoje trabalham 2.080 pessoas. Já no ano seguinte, teve início o mapeamento e a adaptação da infraestrutura do prédio ao clima do Rio de Janeiro, com a adoção de medidas corretivas e preventivas, uma vez que o projeto inicial da fábrica não considerou que as altas temperaturas da região poderiam exceder as médias anuais até então alcançadas. Em janeiro de 2015, as temperaturas máximas registradas ficaram próximas a 39ºC, quando 30ºC era a média histórica conforme dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). “Mesmo dentro dos limites de tolerância estabelecidos pela NR 15 (Atividades e Operações Insalubres), a Nissan investiu recursos para garantir o conforto e a produtividade dos seus funcionários utilizando tecnologias inovadoras”, afirma o líder de segurança e combate a incêndio da empresa, o técnico em Segurança do Trabalho Vanderson Dias.

Quando exposto ao calor, o organismo humano tende a aumentar sua temperatura e, para evitar a hipertermia (aumento da temperatura interna), entram em ação alguns mecanismos naturais de defesa, como vasodilatação periférica e ativação das glândulas sudoríparas. Caso a vasodilatação periférica e a sudorese não sejam suficientes para manter a temperatura do corpo em torno de 37 graus Celsius, a pessoa pode sofrer com insuficiência do suprimento de sangue do córtex cerebral, resultando na queda da pressão arterial; desidratação; câimbras por perda de água e sais mineiras e choque térmico.

O calor, portanto, está na lista dos agentes de risco periodicamente avaliados dentro do PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) da montadora. “A Nissan considera o PPRA seu principal pilar para garantir a SST. Ele é a porta de entrada da Higiene Ocupacional. Com uma abordagem diferenciada e muito dinâmica, o programa diagnostica riscos que são tratados a fundo”, ressalta. O PPRA da empresa é elaborado pelo Sesi (Serviço Social da Indústria), que, com equipamentos de última geração e uma equipe de profissionais especializados, garante que o processo de antecipar, reconhecer, avaliar os riscos seja imparcial. Por sua vez, a área de Engenharia de Segurança do Trabalho da Nissan é a responsável técnica pelo desenvolvimento e aplicação de todo o Programa.

AVALIAÇÕES
Vanderson relata que, dentro da operação de guerra estabelecida para acabar com os problemas de desconforto térmico dentro da fábrica de Resende, definiu-se que, além de serem aplicados os Limites de Tolerância para Exposição ao Calor (Anexo 3 da NR 15 – Atividades e Operações Insalubres), seria utilizada a metodologia de avaliação que obedece a NHO 06 (Norma de Higiene Ocupacional – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor) da Fundacentro.

Os termômetros foram instalados nos postos de trabalho à altura da parte do corpo do trabalhador mais atingida pelo calor. Foram utilizados os termômetros de bulbo úmido natural (tbn), de bulbo seco (tbs) – quando há presença de carga solar externa – e o de globo (tg). Houve verificação no local de trabalho e no local de descanso e foi estipulado o índice metabólico para as atividades desenvolvidas por meio de descrições dos ambientes e se calculando a média ponderada de metabolismo e IBUTG. Após o primeiro ciclo de avaliação, o resultado obtido foi a base para uma equipe multidisciplinar elaborar o plano de ação e seus respectivos prazos de implementação.

Uma das principais medidas tomadas foi a instalação de149 venezianas nas laterais dos prédios produtivos, em todo o complexo industrial, para melhorar a circulação de ar. Também foram instalados 586 ventiladores e 161 climatizadores evaporativos. Além disso, foi aplicado o revestimento cerâmico como isolante térmico em 100 mil metros quadrados de telhados da fábrica. Conforme Vanderson, as ações reduziram, em média, 7 graus Celsius na temperatura interna dos prédios com uma durabilidade de longo prazo. Já a instalação de 335 sombrites diminuiu em 2 graus a temperatura entre um posto e outro. O investimento alcançou cerca de R$ 3 milhões.

“O resultado mais expressivo vem quando se fala do principal objetivo, a preservação da saúde dos colaboradores e a prevenção de acidentes ocupacionais”, ressalta o TST. Ele relata que as ações resultaram em zero ocorrência de absenteísmo médico por causa de problemas envolvendo calor e zero incidência de doenças envolvendo tal agente de risco. Também contribuíram para zero não conformidades em auditorias de OHSAS 18001 e para a recertificação do Sistema de Gestão Integrado da Nissan (após três anos de certificação) dentro da OHSAS 18001 e ISO 14001. “É impossível resolver o problema das doenças ocupacionais sem praticar a prevenção primária de riscos nos locais de trabalho, que é justamente o objetivo final da Higiene Ocupacional. Os resultados deste case mostram que zero incidente e acidente é possível desde que sejam desenvolvidas ações técnicas, efetivas e robustas dentro de uma cultura prevencionista e com a participação de todos”, conclui.

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