quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Prêmio Proteção Brasil 2018 – Cases Gerenciamento de Riscos

ALCOA – ALUMAR

Riscos críticos na mira

Um dos maiores complexos de produção de alumínio primário e alumina do mundo, o Consórcio de Alumínio do Maranhão – Alumar resolveu intensificar os cuidados dedicados à prevenção de lesões graves e fatalidades, focando no gerenciamento de riscos críticos. A iniciativa não só rendeu a distinção Ouro na categoria Gerenciamento de Riscos do Prêmio Proteção Brasil 2018, como também garantiu o troféu de Melhor Case Nacional e da Região Nordeste para a empresa.

A distinção Prata foi concedida à Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, que desenvolveu o `SESCo (Sistema Einstein de Segurança do Colaborador)’ visando o dano zero.

Em terceiro lugar no ranking dos cases premiados, o Terminal Marítimo Ponta da Madeira, da Vale S/A, reestruturou o `Programa de Prevenção de Fatalidades’.

A segurança e o cuidado com a saúde dos trabalhadores são prioridades diárias da Alcoa, que realiza monitoramentos e auditorias constantes buscando identificar oportunidades de melhorias. Com o índice de incidentes e ferimentos leves sob controle, decidiu empreender mais esforços para a prevenção de lesões sérias e fatalidades. O trabalho `Gerenciamento Integrado de Riscos Críticos para Prevenir Lesões Sérias e Fatalidades’ foi reconhecido pelo Prêmio Proteção Brasil 2018, que lhe concedeu a distinções Ouro na categoria Gerenciamento de Riscos, Melhor Case da Região Nordeste e Melhor Case Nacional.

Fundada nos Estados Unidos em 1888, a Alcoa é um dos líderes mundiais em tecnologia, engenharia e produção de metais leves. Atuando em mais de 30 países e somando cerca de 59 mil funcionários, chegou ao Brasil em 1965. No país, possui três escritórios localizados em São Paulo/SP, Brasília/DF e Belém/PA e três unidades produtivas em Poços de Caldas/MG, Juruti/PA e São Luís/MA. As boas práticas do case foram desenvolvidas no Consórcio de Alumínio do Maranhão – Alumar, um dos maiores complexos de produção de alumínio primário e alumina do mundo, formado pelas empresas Alcoa, Rio Tinto e South32 e dividido em Refinaria, Redução e Porto.

Conforme Elias José Miranda, supervisor de SSMA da empresa, durante muitos anos, o foco do grupo foi a prevenção de eventos e incidentes, desenvolvendo o gerenciamento de segurança tradicional por meio de DDS (Diálogos Diários de Segurança), conversas pré-tarefas, entre outras ações. Quando começou a buscar métodos específicos para evitar fatalidades e lesões graves entre seus colaboradores, notou na indústria mundial da mineração e metalúrgica, a tendência da gestão de riscos críticos. “Possibilitando a identificação dos perigos presentes nas atividades laborais e os controles que estão disponíveis para mitigar eventos indesejados, essa gestão inclui um processo de verificação em camadas para garantir que os controles sejam efetivos”, explica Miranda.

IMPLANTAÇÃO

Responsáveis por 70% das fatalidades e lesões graves da Alcoa em nível mundial, queda de altura, espaço confinado, choque elétrico, equipamentos móveis, guindastes/equipamentos de suspensão e liberação descontrolada de energia foram identificados como os seis riscos críticos do grupo. Além destes, foi identificado mais um risco crítico associado ao processo produtivo da Alumar, a queimadura química, que no gerenciamento de riscos críticos é chamado pela empresa de 6+1.

A fim de mitigar estes perigos, foram criados controles críticos para cada um dos riscos após consulta com profissionais de SST do grupo e benchmarking externo. Para realizar trabalhos em altura, por exemplo, os funcionários passaram a ter que utilizar cinto de segurança ancorado em ponto certificado durante todo o tempo do serviço; também é necessário a colocação de barreira física no local, como guarda-corpo e limitador de acesso. Já para atuações em espaço confinado é exigido plano de controle de energia e EBTV (Etiquetamento, Bloqueio, Teste e Verificação), plano de ventilação/exaustão de acordo com a tarefa, teste de atmosfera e monitoramento contínuo, controle/barreiras físicas dos pontos de acesso (entrada, saída e janela de visita).

Para difundir esses controles em nível de chão de fábrica, a Alcoa decidiu integrar o gerenciamento de riscos críticos às ferramentas de desempenho humano já existentes. “Nos DDS passamos a discutir as armadilhas para erro durante a execução da tarefa com os controles críticos, analisando o grau de risco do serviço. Após, é elegida a TARD (Tarefa de Alto Risco do Dia), que é baseada nos conceitos de desempenho humano bem como dos riscos críticos envolvidos na atividade”, relata Miranda. Para realização da TARD é realizada uma conversa pré-tarefa, cuja aplicação consiste em avaliar toda a condição do ambiente de trabalho, quais são os riscos críticos, os controles a serem utilizados, os critérios de parada da atividade e as ferramentas de segurança aplicáveis.

ATIVIDADES DE APOIO

Segundo o supervisor de SSMA, alguns pontos precisam ser observados para a eficácia do gerenciamento de riscos críticos. É o caso dos fatores de erosão, atenuantes que podem reduzir o efeito de um controle; no caso da proteção contra quedas, a falta de pontos de ancoragem adequados; o uso indevido de mosquetão entre outros. Por isso, além da definição e divulgação dos controles críticos são muito importantes as atividades de apoio, como treinamentos para utilização adequada dos equipamentos para atividades em altura. A verificação de adequação para liberação da tarefa também corresponde a um tipo de controle, seja diária ou periódica. Para a execução das atividades, é necessário o preenchimento de formulários de desempenho humano e de gerenciamento de riscos críticos.

Miranda ainda ressalta a importância de que todos os funcionários cumpram com suas responsabilidades no processo de gerenciamento. É função dos operadores implantarem os controles, que são verificados pelos gerentes e supervisores. A identificação dos riscos existentes, a gestão dos controles e o processo de verificação ficam a cargo dos gerentes da área e da planta.

“Segurança não é baixa quantidade de eventos ou incidentes, mas sim a presença efetiva de controles que garantem o bem- estar e a segurança dos funcionários. É nisso que a Alumar aposta e acreditamos que integração do gerenciamento de riscos críticos e ciência do desempenho humano têm nos ajudado a proporcionar um ambiente livre de lesões sérias e fatais”, avalia. Os conceitos de gerenciamento de riscos críticos também foram disseminados para todos os contratados que exercem suas atividades dentro do Consórcio.

HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN

Projeto quer eliminar acidentes e doenças

O dano zero é o objetivo do `SESCo (Sistema Einstein de Segurança do Colaborador)’, desenvolvido pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, que recebeu a distinção Prata na categoria Gerenciamento de Riscos do Prêmio Proteção Brasil 2018. Em vigor desde 2015, a metodologia resultou na queda de 70% de incidentes com afastamentos nos últimos quatro anos. O número de incidentes com riscos biológicos caiu 46% nesse mesmo período.

Fundada em 1955, a SBIBAE possui uma estrutura robusta, contando com diversos hospitais, além de 22 unidades de assistência médica (alinhadas à parceria pública na Zona Sul da cidade de São Paulo/SP) e de ensino, espalhadas pela capital paulista, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Emprega mais de 13 mil e 500 funcionários, além dos médicos do corpo clínico aberto e prestadores de serviço.

Conforme Patrícia Chaves, gerente de Segurança do Trabalho, Meio Ambiente e Sustentabilidade do Grupo, tamanha dimensão sempre exigiu que a Segurança do Trabalho fosse um dos pilares principais, concordando com o objetivo central da instituição, que é o cuidado com as pessoas. Contando com uma equipe principal e diversos comitês que auxiliam na manutenção das atividades do sistema de gestão em SST, a empresa identificou em 2014 alguns fatores que foram levados em consideração para o desenvolvimento e implantação do SESCo. “Na época, por exemplo, a taxa de frequência de incidentes com riscos biológicos era igual a 4,6 e de eventos com afastamentos, igual a 5,7, bem acima das empresas de classe mundial em Segurança do Trabalho, cuja taxa de acidentes com afastamento é menor que 1,0. As ações preventivas não haviam gerado o envolvimento ideal para se fomentar a busca do dano zero e os indicadores de SST não eram do domínio de todas as equipes”, pontua. Na curva de Bradley da DuPont, a instituição havia ficado com o estágio da cultura de Segurança do Trabalho posicionado entre o nível reativo e o dependente. “Então, a alta direção decidiu buscar a excelência em SST, o que possibilitou a criação do SESCo”.

TRÍADE DA SEGURANÇA

Levando em consideração as diretrizes de SST que já faziam parte de suas estratégias, foram definidos os princípios do Sistema Einstein de Segurança do Colaborador, sendo eles: todos os acidentes e doenças ocupacionais podem ser evitados; o envolvimento de todos os colaboradores é fundamental; a liderança é a chave na prevenção dos acidentes; treinamento é essencial; todos os acidentes devem ser comunicados e tratados imediatamente.

Também nasceu a Tríade da Segurança, formada pelos pilares `Gestão de Processos’, `Condições Físicas’ e `Cultura e Comportamento’.

O primeiro pilar representa todos os esforços e ações administrativas do sistema de gestão. Ele é composto por oito módulos: Compromisso de Liderança; Objetivos e Metas; Políticas e Procedimentos; Treinamento e Comunicação; Processos e Ambiente; Investigação de Incidentes; Gestão de Segurança do Trabalho em Contratadas; Reconhecimento. Tem entre suas ações a liberação de verbas para investimentos, manutenção do trabalho dos comitês, capacitações, inspeções educativas com líderes, renovação constante das permissões de trabalho e análise preliminar de risco, divulgação e discussão contínua dos dados de incidentes entre outros. O segundo pilar representa todos os esforços e ações da SBIBAE para promover condições físicas adequadas aos seus colaboradores e prestadores de serviço.

Já o terceiro representa os esforços e estudos voltados à promoção do comportamento seguro entre os trabalhadores. Para tal, foi criada a OAC – Observação e Abordagem Comportamental. Não se tratando de uma inspeção ou auditoria, a ferramenta tem foco educacional em que um observador vai até o ambiente de trabalho observar um colaborador realizar suas atividades para depois dialogar sobre os aspectos de segurança observados. “O trabalhador recebe o benefício de poder ter alguém ainda com mais zelo pela sua segurança e mais um momento em que será ouvido acerca destas questões. A cada comportamento inseguro identificado, ações são definidas junto ao colaborador”, explica Patrícia.

REGRAS DE OURO

A SBIBAE também conta com as 5 Regras de Ouro da Segurança do Colaborador e do Paciente, que complementa a estrutura do SESCo, sendo que todos os treinamentos e projetos de segurança estão relacionados a, pelo menos, uma das cinco regras. São elas: Segurança – sempre execute suas atividades com segurança; Consciência – nunca ignore uma situação ou comportamento inseguro; Adesão – siga os protocolos e procedimentos da instituição. Mantenha-se atualizado; Mobilidade – preste atenção ao caminhar dentro e fora da sua unidade; Comunicação – todos os incidentes devem ser imediatamente comunicados.

“Muito ainda precisa ser feito, melhorado, adaptado, mas os dados mostram que a SBIBAE está no caminho certo para ser uma instituição de alta confiabilidade, rumo ao dano zero. O esforço contínuo em capacitação e projetos com foco nos maiores ofensores dos incidentes são diretrizes que tornam esta jornada inesquecível”, conclui.

VALE S.A.

Unindo esforços no combate a fatalidades

Empregando 2.100 funcionários próprios e cerca de 900 terceiros permanentes no maior porto do país, o Terminal Marítimo Ponta da Madeira tem a Segurança e Saúde no Trabalho como foco de atenção constante. O alto número de atividades na planta que apresentam severidade crítica/catastrófica levou a intensificação do trabalho para evitar acidentes com mortes por meio da reestruturação do `Programa de Prevenção de Fatalidades’. O case recebeu distinção Bronze na categoria Gerenciamento de Riscos do Prêmio Proteção Brasil 2018.

Administrado pela Vale S/A, segunda maior empresa de mineração do mundo, o TMPM fica na cidade de São Luís/MA e faz parte do Projeto Ferro Carajás, um sistema integrado para escoamento da produção de minério de ferro. Atualmente, sua capacidade de embarque é de 210 milhões de toneladas/ano e conta com o Sistema de Gestão Integrado de Saúde, Segurança e Meio Ambiente.

Durante a revisão da documentação de riscos em 2016, que conforme política da Vale tem validade de três anos, a Análise Preliminar de Risco revelou 764 cenários de riscos, dos quais 333 com potencial de fatalidade (severidade crítica/catastrófica). “Percebemos a necessidade de tratar esses ambientes laborais com potencial de fatalidade e constituímos o Comitê de Prevenção de Fatalidades, formado pelos supervisores das áreas operacionais e profissionais do SESMT”, conta o supervisor de Segurança Ocupacional, Fabio Arruda. O projeto foi desenvolvido de forma a atender à legislação vigente, especialmente a NR 29 – Segurança e Saúde no Trabalho Portuário.

NOVO FORMATO

Juntos, os integrantes do comitê elaboraram um processo de gerenciamento dos riscos com potencial de fatalidade. Entre eles, passou-se a analisar os incidentes ocorridos em outras unidades da Vale, avaliando a possibilidade de o evento ocorrer no TMPM. Os integrantes do grupo também começaram a fazer parte da comissão de investigação de incidentes com severidade crítica ou catastrófica ocorridos no terminal.

Durante as inspeções das atividades laborais, as medidas protetivas passaram a ser avaliadas quanto à sua integridade e eficácia e quanto aos desvios de segurança com potencial de fatalidade registrados pelos empregados durante sua atuação. “Este monitoramento visa acompanhar os potenciais desvios que podem levar a um acidente fatal, assim como, realizar ações educacionais junto aos empregados, garantindo assim a utilização correta da ferramenta”, explica Arruda.

O novo formato do Programa de Prevenção de Fatalidade também procurou envolver os profissionais ativamente na aplicação das ferramentas de segurança, identificação de novos cenários de risco e análises e investigação de acidentes. O `Bosque Semeando Vidas’ é uma das iniciativas que busca engajar os empregados das áreas operacionais. Ela prevê que o colaborador que tenha dado uma ideia que eliminou ou controlou um risco com potencial de fatalidade plante uma muda de árvore. O Comitê de Prevenção de Fatalidade também disponibiliza um stand durante a SIPAT, onde dissemina os conceitos de prevenção de fatalidade.

Desde a implantação do novo programa, ocorreu a redução do número de cenários com severidade crítica/catastrófica. Por exemplo, o risco de colapso do pórtico de 30 toneladas que é utilizado durante as manutenções nos viradores de vagões foi eliminado com a adoção de controles preventivos voltados para a utilização de células de carga com sinalização visual de peso, implantação de planos de manutenção e análise preditiva, além da capacitação de todos os operadores e mantenedores. A quantidade de registros de desvios classificados como `Muito Alto’ também sofreu queda considerável. O número mensal que era de aproximadamente 600 passou a ser de 20 a 30, no máximo. Isso porque o trabalho do comitê possibilitou a percepção que os registros vinham sendo feitos de forma equivocada. Além do aumento dos investimentos da empresa em Segurança do Trabalho, que teve um acréscimo de 30% em comparação aos anos anteriores.

Para o futuro, o projeto pretende buscar a implementação das técnicas do Manual de Gerenciamento de Controles Críticos do ICMM (Internacional Council of Mining & Metals); desenvolver grupos técnicos com foco em projetos de melhoria das condições e prevenção de fatalidades; e criar um controle informatizado para gerenciar o inventário de situações de riscos com potencial de fatalidade.

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