quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Prêmio Proteção Brasil 2018 – Cases Espaço Confinado

ANGLO AMERICAN

Menos exposição

Os cases contemplados pelo Prêmio Proteção 2018 na categoria Espaço Confinado conseguiram reduzir ou evitar a necessidade de trabalho nestes locais. Essa vitória só foi possível a partir de estudos destes ambientes, equipes motivadas e muita criatividade.

A seguir, você confere os desafios e resultados de duas iniciativas desenvolvidas em companhias que atuam na área de mineração. Ambas estão localizadas em cidades do interior de Minas Gerais e do Pará, mostrando o potencial dos profissionais de SST na promoção de melhores condições de trabalho, mesmo em locais remotos.

A Anglo American Minério de Ferro Brasil de Conceição do Mato Dentro/MG conquistou o Ouro na categoria enquanto a Vale S.A. de Parauapebas/PA levou a distinção Prata e foi também o Melhor Case da Região Norte.

Premiado com a distinção Ouro na categoria Espaço Confinado, o case `Emergência e Salvamento em Espaços Confinados’, da Anglo American Minério de Ferro Brasil de Conceição do Mato Dentro/MG, mobilizou a equipe de segurança e saúde para a construção de um mecanismo que reduzisse os problemas com peneiras vibratórias, evitando acidentes e, por consequência, resgates em espaços confinados.

“A necessidade de técnicas e conhecimentos mais complexos difere o resgate em espaço confinado de outros tipos de ações de salvamento. Operações de trabalho rotineiras nestes cenários já são altamente complicadas e, no caso de um acidente, o resgatista deve estar preparado para enfrentar um ambiente em condições totalmente adversas”, explicou o técnico de segurança Marcio Monteiro Freire, membro da equipe de SSO (Segurança e Saúde Ocupacional) da companhia.

Para alcançar esse objetivo, a Anglo American estabeleceu uma regra de ouro para os colaboradores que precisam adentrar espaços confinados, ressaltando que nunca devem entrar sem entender e seguir os procedimentos do local de trabalho. A empresa adota procedimentos que dão suporte ao trabalho em seus 146 espaços confinados mapeados, de acordo com as características do local ou atividade desenvolvida, aplicando medidas preventivas e de controle. Esses documentos abordam a permissão de trabalho, SSO, preparação e resposta a emergências, análise preliminar de riscos e outras exigências da NR 33.

CENÁRIO
Como relata Freire, até o ano de 2016 havia um grande passivo na manutenção dos chutes das peneiras, devido ao alto nível de complexidade da atividade, demandando muitos recursos e exposição das equipes a riscos no trabalho em espaço confinado e altura. “Isso nos levou a estudar e propiciar um cenário com o mínimo de exposição possível, proporcionando, assim, o trabalho dos empregados da empresa de forma controlada e guiada pelo conjunto de valores e princípios que orientam o Grupo Anglo American”, afirmou o profissional.

Peneiras são equipamentos comuns em indústrias de mineração, usados para separar e classificar materiais processados. A equipe da companhia observou que, nos dois anos que precederam as melhorias, tempo e recursos empregados na manutenção de peneiras aumentaram, diminuindo a confiabilidade dos equipamentos. Esse fator também levou a um índice elevado de ações corretivas, além do aumento da sujeira na área ao redor das peneiras, em decorrência da fuga de material processado – o que ocorria por causa dos danos na estrutura, pelo desgaste excessivo do maquinário, sem o controle necessário.

Identificando a necessidade de controle, a equipe de manutenção da usina, junto ao SESMT (composta por um diretor de SSO, um gerente, três coordenadores e outros 24 profissionais entre engenheiros de segurança, técnicos de segurança, médico do Trabalho, enfermeira do Trabalho, técnico de enfermagem, supervisores de emergência e segurança), iniciaram um estudo para desenvolvimento de um chute sacrifício (modelo de painel de desgaste removível) na descarga das peneiras vibratórias. O mesmo deveria incluir um revestimento de desgaste permitindo a montagem e a desmontagem do equipamento parando apenas uma linha de peneira. Dessa forma, quando a peça fica desgastada, pode ser substituída por uma nova ou recondicionada, diminuindo riscos e o tempo dedicado à manutenção corretiva.

Assim, as ações da equipe tiveram como foco a redução do tempo de permanência de trabalhadores dentro dos espaços confinados, durante a manutenção das peneiras. Outras metas alcançadas foram a melhoria na confiabilidade do equipamento, a diminuição do grau de risco e uma área de trabalho mais limpa.

IMPACTOS
As mudanças implantadas nas peneiras eliminaram 100% da necessidade de exposição ao risco de trabalho em espaço confinado durante a manutenção do equipamento. Esse resultado implica na melhoria de condições de trabalho, evitando acidentes nesses locais, que quando ocorrem, costumam causar mortes e danos graves à saúde do trabalhador, além de paradas para a manutenção corretiva de equipamentos, gerando prejuízo para a mineradora.

As melhorias evitam, ainda, o uso de plataforma elevatória e a montagem e desmontagem frequente de andaimes usados na manutenção. Dessa maneira, os colaboradores envolvidos não precisam mais realizar trabalhos em altura, que apresentam riscos de acidentes graves e fatais, como quedas.

“Nosso maior ganho foi tirar os funcionários das condições de risco, mesmo que controlado, em trabalho em altura e espaço confinado, levando-os para um cenário externo com risco ínfimo em relação à exposição anterior. A substituição dos painéis das peneiras somente com uma linha parada, levando em média oito horas para o recondicionamento e peças reservas no pátio da oficina, foi outra ação importante”, pontuou o técnico de segurança Marcio Monteiro Freire.

Antes da implantação da melhoria, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, a Anglo American contabilizou 52 paradas para manutenção corretiva nos chutes das peneiras, totalizando 203 horas para essa operação. Após a execução do projeto nas quatro linhas de peneiras, entre fevereiro e dezembro de 2017, os equipamentos não precisaram de parada completa para manutenção corretiva.

A necessidade de manutenção preventiva, realizada periodicamente para evitar paradas e acidentes, também diminuiu em 75%, passando de 1.536 para 384 horas por ano.

VALE S.A.

Instrumentação que faz a diferença

A iniciativa que proporcionou a distinção Prata na categoria Espaço Confinado e Melhor Case da Região Norte, tem promovido mudanças na rotina de medições atmosféricas na Vale S.A. de Parauapebas/PA. O case `Teste de Resposta e Ajustes dos Monitores de Espaço Confinado’ resultou na instalação de 10 estações automatizadas para calibração na usina, que possui espaços confinados em diversas áreas: serviço de água, esgoto, gás, eletricidade, telefonia, silos, britadores, peneiras, colunas de flotação e decantação, tanques, caixas d’água, entre outros.

“Como o minério é inerte, em alguns momentos não é dada aquela atenção que é dada para o gás dentro dos espaços confinados. Então precisávamos fortalecer a necessidade de conhecer profundamente o risco que aquele material podia estar gerando”, disse o técnico de segurança e membro do SESMT da Vale, Leonardo Sileiran.

Seu colega e também técnico de segurança Wellington Santana conta que o trabalho acabou fortalecendo, ainda, a questão da instrumentação. “Antes, não conseguíamos ter certeza dos riscos que estavam no ambiente. Como ter certeza de que não havia gás sulfídrico ou uma deficiência de oxigênio? As estações de calibração que fizemos foram justamente para isso. A aferição dos medidores nos garante que, realmente, as operações são seguras”, esclarece.

PROCESSO
A ideia do case surgiu em 2015, quando a equipe de segurança e saúde identificou fragilidades na gestão de espaços confinados, como ausência de rotina de calibração, ajustes e testes de resposta dos monitores de gases. “Para algumas atividades mais críticas, que aconteciam com uma periodicidade maior, fazíamos uma avaliação exclusivamente qualitativa. Avaliávamos, por exemplo, que, para um silo com 15 metros de profundidade, precisávamos de uma certa quantidade de insufladores. Mas era uma observação exclusivamente qualitativa, subjetiva. Com a implantação de um sistema que garante a confiabilidade da leitura, isso mudou. Anteriormente, não era feito um teste antes do uso, e agora fazemos com frequência”, compara Sileiran.

Após auditoria com base na NR 33, a empresa criou um comitê temporário para solucionar as fragilidades. O grupo foi formado por um representante de cada setor envolvido no processo, como a área operacional e a SST. Em seguida, foi feita uma atualização no mapeamento dos espaços confinados na usina, quando foram registrados 855 locais.

GESTÃO
Santana destacou a gestão da informação como um diferencial do case. “Antes, não tínhamos isso claro, era tudo subjetivo. Hoje, é possível mostrar, com clareza, os dados de toda a atividade. Acho que esse é o maior ganho do projeto”, crê. O software contratado para auxiliar nas medições e registrar os dados também foi citado como de extrema relevância, simplificando o gerenciamento das atividades e armazenando as informações de maneira parametrizada e coerente, o que contribui para uma análise crítica mais efetiva.

“Outro ponto importante é a quantidade de usuários do sistema. Temos 10 ferramentarias e, em cada uma, há quatro pessoas trabalhando em turnos, mais aqueles que se revezam. Então, passa de 60 o número de empregados que utilizam as estações de teste. A operação simplificada é algo que agrega e fortalece a permanência do trabalhador na unidade, pois ele compreende rapidamente como tudo funciona”, observa Leonardo Sileiran.

A partir da instalação das estações de teste e procedimentos de operação assistida, a Vale identificou falhas em 40 monitores de gases – corrigidas durante os ajustes – e 13 dispositivos com falhas em um dos sensores, que foram enviados para manutenção de acordo com as orientações do fabricante.

De janeiro a abril de 2018, 640 testes de resposta foram realizados na usina, durante 16 paradas para manutenção. No período, não houve registro de grandes problemas com os monitores de gases. As falhas identificadas eram simples, e foram corrigidas durante o ajuste automático feito nas estações de teste. Também não houve indicação de exposição acima dos parâmetros legais a substâncias como monóxido de carbono, gás sulfídrico e oxigênio, mostrando a efetividade das ações de prevenção.

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