quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Prêmio Proteção Brasil 2018 – Cases Ergonomia

HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN

Foco na saúde de quem cuida

Empregando cerca de 13 mil funcionários, além dos médicos do corpo clínico aberto e prestadores de serviço, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein não prioriza apenas a saúde de seus pacientes. Ao implantar um sistema de gestão voltado exclusivamente aos riscos ergonômicos das diversas atividades desenvolvidas no ambiente hospitalar, a instituição proporcionou um local mais seguro e saudável, promovendo a queda do número de acidentes e a redução da taxa de absenteísmo. Seu esforço foi reconhecido pelo Prêmio Proteção Brasil 2018, em que recebeu a distinção Ouro na categoria Ergonomia com o case `Gestão da Ergonomia em Instituição de Saúde’.

Conquistando o prêmio Prata na mesma categoria, a Jaguar Land Rover desenvolveu o programa `Destination Zero em Ergonomia’, garantindo postos ergonomicamente adequados desde a concepção da fábrica no Brasil.

O índice de absenteísmo e afastamentos relacionados a distúrbios osteomusculares e da frequência dos incidentes durante a movimentação de pacientes foram alguns dos motivos que levaram a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein a investir em um programa voltado unicamente aos riscos ergonômicos. A iniciativa que começou a ser desenvolvida em 2011 recebeu a distinção Ouro na categoria Ergonomia do Prêmio Proteção Brasil 2018.

A SBIBAE, fundada em 1955, atualmente conta com diversos hospitais, além de 22 unidades de assistência médica alinhadas à parceria pública em São Paulo/SP e de ensino na capital Paulista, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Totalizando cerca de 13 mil e 500 funcionários, além dos médicos do corpo clínico aberto e prestadores de serviço, o grupo considera a Ergonomia uma de suas prioridades na política de gestão.

A partir da avaliação e monitoramento de resultados assistenciais e operacionais, a empresa identificou possibilidades de melhorias de forma a obter o equilíbrio entre o conforto, o bem-estar e a segurança dos colaboradores, terceiros e pacientes. Essa tomada de decisão, primeiramente, culminou na criação do cargo de Analista de Qualidade, Segurança e Ergonomia para o desenvolvimento e implantação de um programa estruturado com uma metodologia para identificação, análise, redução e controle do risco ergonômico. Segundo o fisioterapeuta e ergonomista da instituição, Alexandre Lemo, o objetivo principal foi identificar o risco, realizar ajustes e inserir novas propostas de trabalho, sem perder a qualidade e a produtividade. “No início de 2012 já havia uma estratégia básica para a aplica­ção da ergonomia na instituição, que consistia em análises ergonômicas pontuais em áreas com maior percepção de risco ergonômico, projetos relacionados ao indivíduo, como a formação de grupos de ginástica laboral e avaliações biomecânicas pré-admissionais”, conta. O trabalho foi se consolidando cada vez mais, sendo publicada em 2014, a Política Institucional da Ergonomia do grupo.

METODOLOGIAS
Antes de aplicar qualquer melhoria nas condições laborais dos trabalhadores, ocorre a identificação e a mensuração dos riscos ergonômicos. Para tal, é elaborado um mapeamento que apresente as áreas da instituição com maior índice de queixa e absenteísmo por CID-M (doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo) e CID-S (ferimentos e traumatismos). Também são investigadas as queixas e desconfortos relatados pelos colaboradores e/ou lideranças, sendo documentadas a existência ou não do nexo causal com o tipo de atividade.

Devido aos diferentes setores e atividades avaliadas, a SBIBAE adota diversos métodos para analisar os riscos ergonômicos. Para avaliar a movimentação e a transferência de pacientes realizadas pela equipe de Enfermagem, por exemplo, é adotada a metodologia MAPHO (Movimentação Adequada de Pacientes Hospitalizados). “Ela permite a identificação do nível de risco de uma unidade hospitalar levando em conta os aspectos organizacionais que determinam a frequência de movimentação de pacientes por trabalhador. O risco é considerado aceitável, moderado e elevado a partir de informações como o tipo/grau de incapacidade motora dos pacientes, equipamentos auxiliares disponíveis e formação dos profissionais para uma correta transferência de pacientes”, explica Lemos. 

Já a REBA (Rapid Entire Body Assessment) é o método voltado à avaliação da equipe assistencial e operacional quanto à quantidade de posturas forçadas nas tarefas em que são manipuladas pessoas ou qualquer tipo de carga animada. Foi concebido inicialmente para ser aplicado nas análises de posturas forçadas adotadas pelo pessoal da área médica e hospitalar, como profissionais de enfermagem, fisioterapeutas etc.

Com os resultados dos levantamentos em mãos, ocorre a formação dos comitês de ergonomia nas áreas com elevado/moderado risco ergonômico, que avaliam, validam e elaboram plano de ação corretivo e preventivo conforme o mapeamento realizado.

MELHORIAS
Desde a implantação do projeto, a aquisição de conhecimento técnico tem possibilitado a adoção de novas tecnologias, equipamentos e insumos, além de modificações na engenharia, arquitetura e mobiliário. A melhora a partir da adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores proporcionou a redução de diversos fatores relacionados ao risco ergonômico, como força, postura inadequada, compressão mecânica, vibração, carga biomecânica, tarefa repetitiva e estresse mental.

Foram adquiridos 55 elevadores mecânicos de pacientes e 25 kits de dispositivos secundários (disco giratório, faixa e cinto de transferência). Implantando um time de profissionais de enfermagem exclusivo para movimentação de pacientes, a instituição passou a dar treinamento para a tarefa já durante a admissão do colaborador. Houve mudanças no processo de transferências e movimentações de pacientes anestesiados no centro cirúrgico e implantação de rodízio de trabalho nas áreas com maior e menor risco ergonômico para profissionais do setor de higiene.

“Em relação ao número de incidentes de trabalho relacionados à movimentação de pacientes, destaco a redução de 55% de 2015 para 2016 e de 50% de 2016 para 2017. Também houve queda de 13,6% no número de atestados médicos de 2015 para 2016 e de 5,2% de 2016 para 2017. Outro ganho importante, talvez um dos maiores, foi a redução do risco ergonômico em diversas áreas, como da UTI nas escalas MAPHO e REBA”, comemora Lemo.

JAGUAR LAND ROVER

Prevenção na fase inicial garante dano zero

Tendo inaugurado sua fábrica no Brasil em 2016, a Jaguar Land Rover se preocupou em implantar postos de trabalho ergonomicamente adequados ainda no momento de concepção do empreendimento. Além de estar cumprindo seu objetivo de garantir um ambiente laboral livre de acidentes e doenças relacionados à condição ergonômica, o programa `Destination Zero em Ergonomia’ rendeu à empresa a distinção Prata no Prêmio Proteção Brasil 2018 na categoria Ergonomia.

Subsidiária da empresa indiana Tata Motors, a JLR foi constituída em 2008. Com sede no Reino Unido, é a maior linha premium de automóveis do país europeu, onde ficam 30.500 dos seus 36 mil empregados. Os demais estão divididos nas montadoras localizadas na China e no Brasil, cuja fábrica fica no município de Itatiaia/RJ.

Conforme a gerente de Saúde e Segurança da empresa, Simone Santos, o projeto teve início antes da inauguração da unidade no país. Durante esse período foram identificados os riscos dos futuros postos de trabalho, assim como suas medidas de correção, com o apoio do setor de Ergonomia Global da Jaguar Land Rover. Um dos desafios desta etapa foi aproximar os equipamentos e maquinários importados aos padrões ergonômicos brasileiros. “O projeto de equipamentos para as futuras instalações já nos apresentava uma condição ergonômica destacada, fruto de um alto investimento no processo de automação, ajustes de altura de bancadas e estações de trabalho, manipuladores, ferramentas pneumáticas, dentre outros, se mantendo à altura do padrão Jaguar Land Rover”, conta.        
                                               
NA PRÁTICA
Definindo que o diferencial do programa seria a participação ativa dos trabalhadores que desenvolveriam as funções, gerentes e líderes receberam a missão de conhecer o ponto de vista do operador quanto aos principais riscos. Desse modo, os colaboradores participaram do Destination Zero desde o princípio. Com a operação já iniciada, a empresa assegurou a contratação de uma consultoria especializada em ergonomia que, juntamente com o SESMT e Engenharia, realiza as análises e auditorias ergonômicas, estabelece medidas preventivas, acompanha os planos de ação, realiza as orientações e correções posturais e faz o monitoramento de queixas e desconfortos.

No primeiro ano de operação, uma das metas traçadas e alcançadas foi a avaliação de 100% dos postos de trabalho da área operacional em relação aos riscos ergonômicos. Para tal, foram utilizadas ferramentas como a MFA (Muscle Fatigue Assessment), criada pela JLR com métodos internacionalmente validados e utilizada para analisar os segmentos corporais contemplando a intensidade e a duração do esforço de cada grupamento muscular e/ou segmento corporal. Para o ano seguinte, o objetivo principal foi incorporar todos os novos setores operacionais, as atividades de manutenção programadas, as rotinas de oficinas e todas as áreas de escritório ao estudo ergonômico.
Concluídos os levantamentos, a Jaguar identificou em 2017, que a adoção de postura inadequada é a grande `vilã’, tendo sida encontrada em 59% dos postos avaliados, por vezes com um nível de risco `alto’ ou `muito alto’. O combate aos vícios posturais começou focado em comportamento, treinamentos, informes e Diálogos Diários de Segurança. Quando a ação não produziu os resultados esperados, foi elaborada a Instrução Ergonômica, um documento que demonstra visualmente a postura adequada e que está disponível no painel de informações de cada setor. Os operadores recebem treinamento quanto à instrução, sendo orientados sobre a importância de se praticar a boa postura, os riscos da má postura e o meio correto para eliminar os vícios posturais. “O envolvimento dos trabalhadores, seu comprometimento e o senso de dono despertado para a solução do problema foram resultados que nos fizeram sentir tanto orgulho quanto à sensível melhoria dos scores obtidos nos ciclos subsequentes de reanálises dos postos”, avalia a gerente de Saúde e Segurança.

Mantendo uma agenda semanal e mensal de reuniões, o comitê de ergonomia acompanha as melhorias implantadas e avalia a possibilidade de novas ações. Ainda, diariamente, um profissional de ergonomia percorre os postos acompanhando, orientando e corrigindo durante a intitulada `Blitz Postural’.

Além de não ter registrado nenhum adoecimento ou acidente de trabalho relacionados à ergonomia, a Jaguar Land Rover tratou 100% dos seus postos de trabalho com níveis de risco `alto’ e `muito alto’ representando o total de 265 operações.

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