Sobrecarga Térmica – Parte 1

Olá meus caros, espero que todos estejam bem.

Como eu disse, no meu primeiro texto aqui no blog da Revista Proteção, tenho por objetivo trazer conteúdos práticos toda a semana, demonstrando as diversas aplicações da higiene ocupacional  (e assim quem sabe ganhar novos adeptos para essa magnífica área!).

E como prometido, vou começar a desenvolver um estudo de caso aplicado ao campo da avaliação de sobrecarga térmica, analisando os atuais cálculos para estimativa do IBUTG – Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo e a TM – Taxa Metabólica, ambos através da média ponderada para os 60 minutos mais críticos da exposição diária. Tentarei ser o mais pragmático possível, pois meu objetivo é facilitar a compreensão da aplicabilidade das técnicas e normas vigentes.

Todavia, antes de chegar na parte quantitativa do estudo de caso, quero apresentar uma descrição geral do cenário escolhido e alguns pontos relevantes para um julgamento profissional mais assertivo.

Usarei, como exemplo, um tipo de trabalho comum, conhecido por quase todos: trata-se das atividades de um Padeiro. As tarefas são realizadas próxima a três fornos elétricos de lastro (operando cada um em uma temperatura média de 175°C), utilizados para assar pães, bolos, entre outros alimentos que precisam passar por este tipo de processo. Ressalto também a importância da descrição do ambiente de trabalho, onde cada detalhe é de suma importância para uma análise mais precisa. Uma descrição, tal como: o local possuí ventilação natural, por meio de uma porta e duas pequenas janelas instaladas no setor; não havendo nenhum tipo de sistema de refrigeração adicional. Área construída de 20 m² e  pé direito (altura) de 3,00 m. Tetos e paredes constituídos de concreto, revestidos por uma pintura de tonalidade branco fosco, piso também constituído de concreto, revestido por uma pintura de tonalidade cinza claro. A iluminação é originada por reflexão da luz natural incidente através das janelas e da porta de acesso, bem como por meio de seis lâmpadas fluorescentes tubulares (temperatura de cor: 4000 K e Índice de Reprodução de Cor – ICR: 80,89) instaladas linearmente em duas fileiras, onde cada uma das fileiras possuí três unidades cada.

Notem, que a descrição acima ainda é bem resumida, mas sempre saliento que o levantamento das características do local de trabalho não é mero preciosismo, mas sim um dos pilares técnicos para uma avaliação de sobrecarga térmica, ou mesmo de qualquer risco ambiental.

Todavia, além da alimentação dos fornos e a posterior retirada dos alimentos assados, onde claramente há o contato mais próximo com as fontes geradores de calor, o Padeiro também realiza outras atividades que devem ser analisadas.

Para fins didáticos e de forma resumida, temos as seguintes componentes de atividades:

1 – Misturar a massa;

2 – Passar a massa pelo cilindro laminador;

3 – Cortar a massa e pesá-las (obtendo frações com massa de aproximadamente 2 kg cada);

4 – Prensar a massa na máquina divisora;

5 – Passar as massas, já divididas, na máquina modeladora;

6 – Abastecer o forno com as formas de pães;

7 – Retirar as formas de pães.

Vejam que a cargo de Padeiro tem uma série de funções compostas por diferentes ciclos de atividades. Ainda teríamos outras a serem inseridas neste contexto, mas como mencionei, vamos nos restringir aquelas citadas logo acima.

Quero chamar a atenção do leitor para outra questão importante, este estudo de caso toma como base o aspecto preventivo, ou seja, estamos analisando a exposição deste trabalhador com base no Anexo 3 da Norma Regulamentadora – NR 9, aprovado pela Portaria nº 1.359, de 09 de dezembro de 2019. No conteúdo desta norma temos os valores de nível de ação e de limite de tolerância para os trabalhadores aclimatizados sujeitos a sobrecarga térmica. Sempre menciono em meus cursos que o Anexo 3 da NR 9 não fornece valores de nível de ação e limite de tolerância para as exposições ocupacionais de trabalhadores que são considerados não aclimatizados, ao contrário da Norma de Higiene Ocupacional – NHO 06 da FUNDACENTRO que já possuí esses valores, entre outras informações adicionais.

Mais uma questão a ser tratada, e que também consta no próprio Anexo 3 da NR 9, refere-se a própria etapa de reconhecimento de riscos, pois o item 2.3 da norma estabelece todos os requisitos a serem compulsoriamente analisados.

Sempre reforço a importância desta etapa, assim como foi apresentado na descrição do local de trabalho, tendo em vista que todos os itens requisitados pela norma são fundamentais para o profissional ter uma visão sistêmica das condições de trabalho e dos fatores que influenciam a exposição do trabalhador ao calor.

Em seguida, devemos observar as atividades para determinação da taxa metabólica de cada etapa de trabalho e, posteriormente, lançar mão de uma análise quantitativa da exposição ocupacional ao calor. Tais critérios devem abranger todos os ciclos de trabalho apresentados, com a intenção de obter os valores de IBUTG e da taxa metabólica representativa da jornada laboral.

Em meu próximo texto vamos analisar os ciclos de exposição das atividades apresentadas e selecionar algumas delas para realizar a equação do IBUTG e da taxa metabólica.

Vejo vocês na próxima semana.

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O blog Higiene Ocupacional em ação traz diversas situações e vivências práticas do dia a dia dos profissionais de segurança do trabalho, com dicas e reflexões de como a higiene ocupacional pode ser aplicada para promover um ambiente de trabalho seguro e produtivo. O autor é Gustavo Rezende de Souza, bacharel em Ciência e Tecnologia, técnico de Segurança do Trabalho com especialização em Higiene Ocupacional, professor nos cursos de SST e consultor Técnico.

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