quarta-feira, 29 de junho de 2022

Monitorização Biológica

Para facilitar o entendimento sobre a monitorização biológica, vamos voltar alguns passos. Como sabemos tudo começa com a presença de um determinado contaminante no ambiente de trabalho. De acordo com as condições deste ambiente e do agente pode ocorrer a penetração no organismo do trabalhador por diferente vias (as principais são a respiratória e a cutânea), em paralelo iremos realizar a avaliação ambiental para verificar o nível de exposição.

Depois que entra no organismo em função de solubilidade e de outros fatores este contaminante irá circular no corpo do trabalhador exposto. Alguns destes agentes irão se distribuir por igual, outros irão se acumular em determinados órgãos e outros poderão ser transformados em outras substâncias para que possam ser eliminadas.

No entanto, dependendo da quantidade de entrada e das características do produto que entrou, o organismo não consegue eliminá-lo e para determinar a dose interna deste contaminante poderemos utilizar o controle biológico.

A monitorização biológica consiste na quantificação e posterior avaliação do agente químico ou dos seus metabólitos que penetraram no organismo e com base na comparação com referências apropriadas iremos entender melhor o risco desta exposição para a saúde do trabalhador.

Para realizar esta monitorização o setor de saúde da empresa irá fazer a coleta de sangue, urina, saliva etc, para poder ter valores para comparar com padrões estabelecidos como sendo aceitáveis para o corpo humano.

Na legislação brasileira, os dados para esses indicadores biológicos encontram-se na NR 07 e são denominados Índices Biológicos Máximos de Exposição (IBMP).

No EUA é encontrado na ACGIH como Biological Exposure Index (BEI).

Na Alemanha é obtida na Fundação Alemã de Investigações (DFG) – BATs (Valor de Tolerância do Agente Biológico).

Na Espanha no Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo – INSHT são os VLBs (Valores Limites Biológicos).

Apesar de ser um importante método para complementar a avaliação ambiental os resultados proporcionados podem apresentar discordâncias, como por exemplo:

  • pode ocorrer valores bem abaixo do limite na avaliação ambiental e exposições elevadas na avaliação biológica, um dos fatores é absorção cutânea.
  • fatores intrínsecos ao trabalhador (como a constituição física, o tipo de alimentação, a atividade enzimática, o sexo e a idade, a presença de alguns tipos de patologias ou o uso de algumas medicações);
  • fatores relacionados com a atividade profissional (de que são exemplos a carga de trabalho física, as variações na duração e intensidade da exposição ou a diversidade de fontes de exposição e as exposições múltiplas, bem como a temperatura e umidade nos locais de trabalho);
  • fatores ambientais externos à exposição profissional (em que se incluem, entre outros, a poluição ambiental e a contaminação de alimentos e água nas zonas de residência);
  • fatores relacionados com modos de vida (como a existência de atividades extra-profissionais com exposição ao agente, a higiene pessoal, os hábitos de vida e de trabalho e a concomitância de outras exposições domésticas e de lazer);
  • fatores de natureza metodológica (relacionados com a contaminação dos produtos colhidos para análise, a má conservação dos produtos a analisar e variações dos métodos analíticos).

Algumas das vantagens do uso dos critérios biológicos em complemento às avaliações ambientais são as seguintes:

  • Complementam os resultados das avaliações ambientais;
  • Identificam pessoas mais sensíveis ao agente analisado ou com problemas metabólicos que dificultem a excreção do produto;
  • Validam ou não as avaliações ambientais;
  • É um indicativo da exposição global, pois irá considerar todas as vias de entrada no organismo e não apenas a via respiratória.
  • Dar uma ideia da eficácia das medidas de cotrole (EPIs, EPCs ou medidas administrativas);
  • Ajudam a avaliar situações de difícil análise com a presença de diversos agentes;
  • Alertam para exposições que a princípio não seriam esperadas (exposições extra laborais).

Porém, como principais desvantagens podemos citar:

  • O reduzido número de substâncias com estudos confiáveis sobre o índice biológico;
  • Utilização do ser humano como critério de análise, o que pode gerar diversas inconsistências devido a razões como idade, constituição fisiológica, gênero, medicação, gravidez etc.;
  • Dificuldade da coleta da amostra, pois depende do agente tóxico possuir uma vida média biológica relativamente prolongada para permitir a realização das avaliações (tempo necessário para que a quantidade de um determinado contaminante se reduza à metade no organismo).

O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
[email protected]

Artigos relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui