quarta-feira, 29 de junho de 2022

Reconhecimento de agentes químicos – Exemplo prático – Parte 1

Olá pessoal, espero que todos estejam bem.

Nas minhas últimas colunas abordei pontos que considero fundamentais para as avaliações de calor, e na última delas apresentei um exemplo de estudo de caso para a obtenção do IBUTG e da Taxa Metabólica baseados na média de cada um dos valores, ambos referentes ao período mais crítico dos 60 minutos de exposição.

Após a publicação da última coluna recebi algumas mensagens, onde fui questionado sobre a quantidade de amostras que devem ser realizadas para que o profissional tenha um conjunto mínimo de resultados representativos da exposição ocupacional ao calor para um ciclo de trabalho.

Pois bem, as leituras das temperaturas (IBUTG) devem ser iniciadas após a estabilização do conjunto (que geralmente demora 25 a 30 minutos, quando usamos um globo de 6 polegadas) de termômetros na situação térmica que está sendo avaliada e repetidas a cada minuto.

Este ponto é importante, haja vista que devemos cronometrar o tempo de leitura para coletar um resultado a cada minuto. Por favor meus caros! Não colete apenas uma leitura e ponto! A Norma de Higiene Ocupacional – NHO 06 (2ª versão) estabelece que devem ser feitas no mínimo 5 leituras ou tantas quantas forem necessárias, até que a variação entre elas esteja dentro de um intervalo de +/- 0,4 °C.

Outra observação muito importante, os valores a serem atribuídos ao tg, tbs e tbn correspondem às médias de suas leituras, obtidas no intervalo considerado.

Muita informação?

Como o nome do blog é Higiene Ocupacional em Ação vamos analisar um estudo de caso para entender melhor a aplicação desta parte da NHO 06.

Suponhamos que foram realizadas as seguintes avaliações de calor em uma forjaria, onde há o uso de prensas de fricção por acionamento de fuso e que compõe um dos ciclos de trabalho onde ocorre a exposição ao calor:

Vejam que temos a média aritmética simples dos resultados de cada um dos termômetros e logo abaixo temos o valor do IBUTG interno para cada uma das medições. Importante ressaltar que estamos lidando com a equação do IBUTG para um ambiente interno sem carga solar, ou seja, todas as fontes de emissão de calor são artificiais, logo para a equação IBUTG = tbn 0,7 + tg 0,3 iremos desprezar os resultados do termômetro de bulbo seco.

Agora com os resultados em mãos devemos verificar se houve uma variação dentro de +/- 0,4 °C no IBUTG de cada medição.

Abaixo está o resumo dos valores de IBUTG para um o ciclo de exposição analisado:

Vejam que o delta mais expressivo, correspondente a diferença entre o maior e menor resultado, é de 0,38 °C.

Logo, temos um valor que corresponde a um intervalo de +/- 0,4 °C, neste caso temos uma variabilidade aceitável de resultados.

O valor que representa a exposição térmica a este ciclo de trabalho onde ocorre a operação da prensa de fricção por acionamento de fuso é de 23,46°C.

Vale ressaltar: o valor acima não é o IBUTG média ponderada para o período de 60 minutos mais crítico de exposição, para quem ainda tiver dúvida sobre isso eu sugiro a leitura dos artigos anteriores do blog.

Um abraço a todos e até o próximo artigo.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia Professor.

    Tenho uma avaliação que o benzeno saiu resultado de < 0,003 ou seja, menor que o LQ. o que devo considerar neste caso.

  2. Olá Samuel, como vai?

    Este valor ficou abaixo do limite de quantificação do método analítico, ou seja, a concentração obtida foi menor que o valor mínimo necessário para que o laboratório possa lhe fornecer um resultado de concentração específico. A concentração é dada por uma relação da massa coletada sobre volume de ar total, logo a massa que você obteve de benzeno em relação ao volume de ar coletado foi muito baixa, insuficiente para ser identificada por meio do procedimento de cromatografia gasosa. Quanto ao tratamento dos dados existem algumas opções, a mais simples presente no Guia de amostragem de agentes químicos da FUNDACENTRO, recomenda que o valor obtido (no seu caso 0,003) seja divido por 2. Uma segunda possibilidade é dividir o mesmo valor pela raiz quadrada de 2. E também há o Robust Method onde há um tratamento estatístico de dados mais sofisticado e que exige um número maior de amostras.

  3. Boa tarde, Gustavo! Parabéns pelos textos. São ótimos! Com relação ao n-hexano (como foi citado faz parte da mistura de compostos da gasolina). O limite da ACGIH TWA/STEL para a Gasolina, ao meu ver, já contemplaria o complexo de compostos químicos que a compõe (como é o caso do benzeno, ao utilizar o limite da ACGIH para gasolina, este ja inclui o benzeno nos seus efeitos), logo penso que não seria necessário acrescentar o n-hexano. Qual a sua consideração? Abraço!

  4. Olá Lúcio.

    Muito obrigado, fico feliz que os textos estejam contribuindo.

    Sua observação é ótima e congruente, mas há uma questão particular e que realmente nos deixa em um cenário mais complexo. A empresa em questão precisava ter os valores específicos do benzeno para fins da análise da aposentadoria especial (Elaboração do LTCAT) e o valor no n-Hexano foi uma exigência da fiscalização trabalhista. Eu concordo que a mistura complexa da gasolina contém os agentes químicos benzeno e n-Hexano, todavia, a descrição detalhada destes valores fazem-se necessários para fins de comparação com seus respectivos TLVs, mais a questão de termos que considerar o contexto pelo qual as medições são necessárias.

    Abraço.

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