sexta-feira, 24 de junho de 2022

Quais os estágios da motivação para a mudança?

– Professor, estava pensando aqui e acho que o mais difícil na nossa área é conseguir mudar o comportamento dos trabalhadores e chefia em relação à Segurança do Trabalho.

– Concordo com você, meu filho. Pois até conseguir investimentos para os controles necessários seria mais fácil se conseguíssemos mudar o modo de pensar de alta direção de algumas empresas.

– Mas o senhor já estudou sobre como conseguir essa mudança?

– Não sou especialista, mas lembro de ter lido um material proposto pelos autores Prochaska e DiClemente que explicam os estágios de motivação para que ocorra a mudança e talvez possa lhe auxiliar a entender o processo.

– Vou procurar para ler, mas o senhor pode explicar?

– Claro. Imagine que precisamos que um trabalhador mude sua forma de agir para seguir determinado procedimento. No início, segundo os autores, ele estaria no estágio de Pré-contemplação, ou seja, o trabalhador ainda não está pronto para mudar e não acredita que suas ações tragam algum risco.

– Acho que tenho boa parte dos meus trabalhadores nesse estágio.

– Meu filho, acho que boa parte está no estágio seguinte que seria o da Contemplação. É quando há consciência dos riscos, mas não há o compromisso de mudança.

– Concordo, professor, boa parte está nessa situação, pois pelo menos tem alguma informação.

– Outros estarão na fase seguinte que é chamada de Preparação. O trabalhador ainda terá dúvidas sobre a necessidade de mudança, mas pelo menos tem o interesse de mudar. Se dermos um empurrãozinho ele chegara na fase da Ação. Nesse estágio considera-se que houve o convencimento e o trabalhador efetivamente assume atitudes para mudar.

– Então chegando aí teremos resolvido o problema?

– Infelizmente, não. O modelo apresenta mais duas fases. A seguinte seria a da Manutenção, na qual o trabalhador mudaria o modo de agir, mas não temos certeza que não venha a retroceder. Irá precisar de monitoramento e apoio para eventuais deslizes ou recaídas.

– Qual seria o último estágio?

– Seria o da Recaída. O modelo considera esperado durante o processo de mudança possíveis deslizes, nesse caso há um erro pontual e o retorno imediato para o novo comportamento. Já no caso da recaída propriamente dita seria quando o trabalhador acaba voltando para o comportamento inicial. Caso ocorra a Recaída o trabalhador precisaria iniciar novamente o ciclo, mas teoricamente estaria mais fortalecido para chegar na fase da manutenção e de ter um comportamento seguro.

– Percebi que é algo bem complicado, professor!

– Exatamente! Perceba que depende de muita informação e suporte para que a mudança seja iniciada e principalmente mantida.


O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
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