quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Profissional de segurança não é onisciente ou onipresente

Imagine uma manhã como qualquer outra de um profissional de segurança do trabalho. Logo cedo, entrega os EPIs (7h30), depois abre as Permissões de Trabalho (7h50), em seguida faz uma ronda pela empresa (8h20), finalmente chega ao computador para ler os e-mails e atualizar os planos de ação (9h10). Volta para o processo, pois um líder de produção está reclamando que o terceirizado está utilizando uma escada inadequada para o serviço, regulariza a situação e volta para o computador para abrir o relatório de incidente do ocorrido (10h40). Depois de preparar o relatório, imprime a planilha para realizar a inspeção dos extintores, depois do almoço (11h50).

Um dia normal na vida de muito profissional de segurança do trabalho, mas vamos olhar o que estava acontecendo em paralelo a toda esta atividade realizada pelo nosso amigo ou por qualquer um de nós.

Às 7h30, a gerente de logística quase caiu ao subir a escada com o salto, por sorte um trabalhador estava ao lado e a segurou na hora do desequilíbrio. Logo em seguida, às 7h50, o operador da máquina injetora 2 iniciou suas atividades sem utilizar o protetor auricular, situação frequente no setor. Às 8h20, o Joaquim da manutenção realizou um procedimento de teste em uma máquina mantendo a mesma energizada, apenas para ganhar tempo.

Já por volta das 9h10, não aconteceu nada, porque a empresa não é tão ruim quanto você está pensando. No entanto, às 10h20, o líder de produção liga para avisar sobre a situação irregular da escada do terceirizado e, finalmente, às 11h20, o gerente de produção percebe que um dos terceirizados está subindo no andaime com o cinto de segurança, mas sem se prender a nada e pensa: “Aonde está o TST que não está vendo isso?”.

Esta é uma situação corriqueira em boa parte das empresas, mas o que eu queria alertar é para um fato óbvio, mas que nem toda empresa leva em consideração, a impossibilidade do profissional de Segurança do Trabalho estar presente em todos os lugares a todo o momento.

Os gestores precisam entender que este profissional sempre estará disponível para dar o suporte necessário para ajudar nos problemas relacionados ao tema, mas as ações de orientação e mesmo de advertências, caso necessário, devem acontecer por iniciativa de todos, mas principalmente, por parte dos gestores.

Essa dependência é totalmente danosa para a segurança na empresa e acaba sobrecarregando o SESMT, que não consegue desenvolver as atividades, pois precisa ficar correndo de um lugar para o outro para apagar pequenos incêndios.

Enquanto continuarmos com a cultura de que Segurança do Trabalho é trabalho exclusivo do SESMT, não teremos como conseguir empresas com excelência em SST, pois para alcançar esse objetivo, é preciso que haja um real interesse e apoio mútuo.


O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
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