quinta-feira, 07 de julho de 2022

Medo na Segurança do Trabalho

Como você já deve ter percebido, além de ler sobre Segurança do Trabalho, gosto muito de literatura e um dos grandes autores que eu admiro é Edgar Alan Poe, conhecido por seus contos que envolvem o mistério e o macabro. Abaixo um trecho do conto O Poço e o Pêndulo, para você degustar:

Receava o primeiro olhar para os objetos que me cercavam. Não que eu temesse olhar para coisas horríveis, mas porque ia ficando aterrorizado, temendo que nada houvesse para ver. Por fim, com selvagem desespero no coração, abri rapidamente os olhos. Meus piores pensamentos foram, então, confirmados. Cercava-me o negror da noite eterna. Fiz um esforço para respirar…

Antes que o leitor pergunte: O que as histórias de terror têm a ver com Segurança do Trabalho?

Respondo que se você parar para pensar tudo tem relação com a Segurança. No caso do Poe diria que a relação é o medo, pois o profissional de Segurança do Trabalho tem vários e acho que alguns dos principais são os seguintes: visita da fiscalização (atualmente acho até algo bom, mas lembro que no início da carreira ficava em pânico), cometer um grave erro técnico, não estar emocionalmente preparado para os problemas, a ocorrência de um acidente extremamente grave ou fatal e muitos outros possíveis.

Todos esses pontos são críticos e podem dar “medo”, mas um que é bem complicado e infelizmente já passei foi o da empresa mandar fazer algo errado. Era uma empresa que tinha um processo com muitos fornos e o horário de pico da produção era logo após o almoço, eu já estava a dois meses na empresa e estava elaborando o Laudo de Insalubridade, fiz as medições no horário que considerava mais desfavorável e os valores estavam elevadíssimos, gerando direito ao adicional de insalubridade.

Quando cheguei com a informação para o meu superior ele disse que havia uma padronização do horário das avaliações e que devia ser realizado no início do expediente, ou seja, 7:30 da manhã. Tentei explicar que o referido procedimento estava equivocado, mas no final não aceitaram e resolvi pedir as contas da empresa.

Acho que o leitor está esperando a seguinte pergunta do meu ex-aluno: Professor, mas não tem outro jeito, pois atualmente se eu pedir as contas da minha empresa vou ficar ferrado!

Infelizmente ele não está aqui hoje, mas como as letras permitem eu ter esse poder de leitura mental dos leitores, consegui ouvir e vou tentar responder, mas não esperem uma solução.

Diria para o meu ex-aluno o seguinte: Meu filho, isso aconteceu quando eu já tinha uma certa estabilidade financeira, ou seja, podia dizer tchau sem muito problema, mas não sei qual seria a minha reação no início da carreira, seria bonito eu dizer que o ideal sempre é fazer o correto, mas sei que para alguns não seria algo tão simples. Uma alternativa seria levantar os custos de uma futura fiscalização e dos processos judiciais relacionados ao não pagamento do adicional e também tentar buscar apoio do setor de saúde para ter argumentos do prejuízo à saúde dos trabalhadores.


O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
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