Estudo de caso: Sobrecarga Térmica – Parte 2

Olá meus caros leitores, espero que todos estejam bem.

Em meu último texto apresentei um estudo de caso para aplicação dos requisitos técnicos referentes a avaliação de sobrecarga térmica. No exemplo proposta abordei as atividades desenvolvidas por um Padeiro, profissão extremamente conhecida por todos e de caráter bem ilustrativo para a compreensão dos aspectos relacionados à avaliação de calor.

Pois bem, dando continuidade quero apresentar agora as equações do Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo – IBUTG e de Taxa Metabólica – TM, ambas as equações serão baseadas em uma média ponderada no tempo.

Para obter o IBUTG podemos usar as equações a seguir:

IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg                           (Para ambientes internos ou externos sem carga solar)

IBUTG = 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg           (Para ambientes externos com carga solar)

Onde:

tbn = temperatura de bulbo úmido natural

tg = temperatura de globo

tbs = temperatura de bulbo seco

Agora, para encontrar o valor do IBUTG médio para 60 minutos de trabalho devemos usar a equação abaixo:

Note leitor que neste caso estamos considerando o peso de cada valor do IBUTG encontrado durante os diferentes ciclos de trabalho, bem como o período de duração de cada um destes ciclos correspondentes ao IBUTG medido.

Já para mensurar a taxa metabólica média para 60 minutos de trabalho usamos a equação abaixo:

Temos a mesma estrutura de equação anterior, haja vista que se trata do mesmo parâmetro matemático, entretanto, ao invés do IBUTG de cada ciclo temos agora a Taxa Metabólica correspondente a cada atividade.                                                                                                     

Neste ponto, reforço a importância de compreender que a exposição à sobrecarga térmica é muito variável durante a jornada laboral, desta forma os mecanismos de propagação de energia térmica (calor) são fortemente influenciados por ligeiras mudanças durante a realização de uma determinada atividade. Por exemplo, o calor transmitido por radiação térmica muda significativamente quando o trabalhador se distância poucos metros da fonte de emissão.

(Obs. Todos os corpos acima do zero absoluto, que corresponde ao 0°K [Kelvin] no Sistema Internacional, emitem determinado nível de radiação térmica, no caso de corpos que se encontram em uma temperatura que varia de 0 a 300 ° C [Celsius – escala usada no Brasil] temos predominantemente a propagação de radiação no espectro infravermelho).

Assim, faz-se necessário observar que alterações de posicionamento, atividade, esforço empregado, entre outros inúmeros fatores causam mudanças que devem ser avaliadas pelos profissionais de saúde e segurança do trabalho durante a etapa de caracterização básica da exposição.

Infelizmente, o quadro 1 do antigo texto da Norma Regulamentadora – NR 15 foi utilizado frequentemente de forma equivocada, tendo em vista que sua aplicação presume que o trabalhador realiza as suas atividades no mesmo ponto de trabalho, sem que haja nenhuma alteração em relação aos locais de trabalho e descanso (descanso no próprio local de trabalho: significa que o trabalhador permanece exatamente no mesmo local onde executou uma atividade exposto a sobrecarga térmica). A tabela do antigo anexo 3 da NR 15 tem como referência a atual tabela 2 da ACGIH – American Conference of Governmental Industrial Hygienists, cujo título é “Critério de Análise Simplificada para Exposição a Sobrecarga Térmica”.

Caro leitor,  perceba que o próprio título da tabela deixa claro que se trata de uma análise mais trivial, onde são desconsideradas variações de atividade metabólica e dos locais de trabalho.

Todavia, na mesma tabela 2 da ACGIH, há uma nota que informa:

“Se os ambientes de trabalho e descanso são diferentes, é preciso calcular e usar as médias ponderadas no tempo (IBUTG médio) para o período de uma hora. Também devem ser utilizadas as médias ponderadas no tempo para as taxas metabólicas, quando as cargas variam no período de uma hora, mas deve-se observar que a taxa metabólica para o descanso já foi incluída”. (Grifo nosso).

Neste caso, observe que a própria ACGIH recomenda a utilização da média ponderada no tempo para ambas as variáveis, procedimento este pouco seguido pelos profissionais de SST, pelo menos até o fim de 2019, tendo em vista que nossa legislação trabalhista trazia um texto desatualizado e com interpretações muito subjetivas.

No caso das atividades do nosso Padeiro, vimos que há um conjunto de atividades onde o nível de esforço físico, e a proximidade com a fonte de calor, são bem distintas. Logo, é inviável fazer o uso de um procedimento que considere não haver nenhuma alteração da sobrecarga metabólica de trabalho e do próprio IBUTG, reforçando que devemos obter a média ponderada para os 60 minutos corridos mais críticos das atividades laborais.

Outra questão a ser reforçada é que o ambiente de trabalho é interno, sem a presença direta de luz solar, possíveis reflexões do sol em janelas e portas de acesso não são fatores que justifiquem a aplicação da equação do IBUTG considerando o termômetro de bulbo seco. Assim, será aplicado a equação que apresenta a seguinte estrutura: IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg.

Temos então a aplicação dos resultados obtidos pelos sensores de bulbo úmido e de globo (com peso de 70% no resultado para a temperatura de bulbo úmido, por isso a multiplicação por 0,7, e de 30% para a temperatura de globo, que corresponde a 0,3 em decimal).

Meus caros, fiz essa revisão de conceitos, pois antes de entrarmos definitivamente nas equações considerei pertinente reforçar as bases técnicas e matemáticas para avaliação de calor.

Vejo vocês na próxima semana.

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