quinta-feira, 07 de julho de 2022

Em queda livre

– Você sabe que trabalho em altura é extremamente arriscado, mas como quantificar isto? Vejamos alguns números:

– Primeiro vamos lembrar a física do ensino médio.

– “Putz professor, física!”

– Não chora e continua lendo! Lembra da equação abaixo?

V = Vo + a.t

Onde:

V = velocidade final
Vo = Velocidade inicial
a = aceleração
t = tempo

– Pois bem, considere que Vo é igual a 0 porque nosso trabalhador está em repouso.

– Aceleração é 9,8 m/s2, que é a aceleração da gravidade, mas é melhor transformar em quilômetro por hora, ou seja, 1,27×105 km/h2, e tempo de 2,77×10­-4h equivalente a um segundo de queda. Jogar tudo na equação:

V = 0 + 1,27 x 105 x 2,77 x 10­-4 = 35,1 km/h

– Perceberam que em um segundo o trabalhador já alcançará uma grande velocidade, com dois segundos teremos velocidade de 70,2 km/h e com apenas três segundos de queda teremos velocidade de 105,3 km/h? Ou seja, se não agirmos rápido, mesmo com proteção, o acidente pode ser fatal em função do impacto.

– Para atenuar este problema, a NR 35 comenta sobre o fator de queda, que pode ser entendido como a divisão entre a distância que o trabalhador percorreria na queda e o comprimento do equipamento que irá detê-lo.

– Por exemplo, se o trabalhador está com um cinto que tem talabarte de um metro e o cinto está preso na mesma altura de fixação do cinto no trabalhador, teremos fator de queda 1.

– Mas caso o talabarte esteja fixado na altura do pé do trabalhador e este talabarte tenha um metro de comprimento, o fator de queda seria a divisão do comprimento que o trabalhador poderia percorrer, ou seja, dois metros divididos pelo tamanho do talabarte, no nosso exemplo 1m. Teríamos então fator de queda igual 2.

– Acho que é fácil de entender que se tivermos um fator de queda alto, a possibilidade do trabalhador se machucar aumenta, mesmo com cinto, simplesmente pelo impacto.

– O uso do absorvedor de energia deve ser utilizado justamente para desacelerar a queda e diminuir o impacto do cinto no corpo do trabalhador.


O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
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