Avaliação de sobrecarga térmica no ambiente de trabalho

Olá meus caros leitores da Revista Proteção.

Hoje damos início ao blog “ Higiene Ocupacional em Ação“

É um imenso prazer participar do blog da Proteção e ter aqui um espaço dedicado à Higiene Ocupacional, tema este que sou completamente apaixonado!

Espero que as leituras possam agregar valor a vocês meus caros, então mãos na massa!

Hoje vamos bater um papo sobre as avaliação de calor no ambiente de trabalho.

Após a publicação da Portaria nº 1.359 em 9 de dezembro de 2019 que aprovou o Anexo 3 – Calor da Norma Regulamentadora nº 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, muitos profissionais de SST se depararam com novas condições a serem aplicadas nas avaliações de sobrecarga térmica nos ambientes de trabalho. Novas, é claro, no sentido de obrigatoriedade, haja vista que os conceitos técnicos presentes no Anexo 3 da NR 09 estão embasados na Norma de Higiene Ocupacional – NHO 06 (2ª edição) denominada “Avaliação da exposição ocupacional ao calor” publicada em 2017 pela Fundacentro. Então, para aqueles que já tinham acompanhado as alterações da 2ª edição da NHO 06, o novo Anexo da NR 09 não trouxe nada de surpreendente.

Todavia, a aplicação dos requisitos previstos no Anexo 3 da NR 9 são de fundamental importância para uma avaliação de sobrecarga térmica mais assertiva. Digo isso, pois, no meu entendimento, as variáveis presentes nas avaliações de estresse térmico são altas e podem resultar em conclusões precipitadas em casos de julgamentos técnicos superficiais. Apenas para se ter uma noção, as taxas metabólicas constantes na NHO 06, e por consequência no Anexo 3, apresentam uma exatidão de +/- 20% (recomendo a consulta da norma ISO 8996: 2004 – ergonomics of the thermal environment – determination of metabolic rate)! Neste ponto, tenho que ressaltar a importância de realizar um reconhecimento de riscos com informações detalhadas sobre as atividades desempenhadas, bem como dos processos de trabalho envolvidos com exposição à sobrecarga térmica de origem ocupacional. Infelizmente, muitos profissionais se focam em obter os 60 minutos mais críticos dessa exposição, sem, contudo, avaliar todos os ciclos de exposição ao longo da jornada de trabalho, tendo como parâmetro apenas determinados horários de maior incidência de energia térmica, seja ela natural e/ou artificial. Desconsiderando, por exemplo, que em um dado momento do dia um profissional pode realizar uma atividade mais pesada, e assim apresentar um gasto calórico mais elevado, mesmo sem que a temperatura do ambiente esteja tão alta como em outro horário do dia.

Nessas condições, é importante saber que, primeiramente, devemos conhecer todos os ciclos de exposição ao longo da jornada. Normalmente me dedico nos primeiros dias a conhecer profundamente quais são as variáveis existentes e como elas impactam a sobrecarga térmica dos trabalhadores expostos, a nossa famosa avaliação qualitativa. Observo, escuto, converso, pergunto (e como pergunto!), fotografo, gravo e observo novamente. Sempre falo (e não apenas eu) que o trabalho de um higienista ocupacional é de um investigador, pois devemos estar atentos a todos os detalhes do ambiente de trabalho. Após finalizar essa etapa, sei que terei condições de fazer uma avaliação quantitativa com mais confiança, baseado nas informações já coletadas em campo.

Paro por aqui meus caros leitores. Voltarei na próxima semana trazendo um exemplo de aplicação da avaliação de estresse térmico com base no novo Anexo 3 da NR 9.

Abraço e sucesso a todos.

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O blog Higiene Ocupacional em ação traz diversas situações e vivências práticas do dia a dia dos profissionais de segurança do trabalho, com dicas e reflexões de como a higiene ocupacional pode ser aplicada para promover um ambiente de trabalho seguro e produtivo. O autor é Gustavo Rezende de Souza, bacharel em Ciência e Tecnologia, técnico de Segurança do Trabalho com especialização em Higiene Ocupacional, professor nos cursos de SST e consultor Técnico.

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