sexta-feira, 24 de junho de 2022

Ao projeto vencedor, as batatas

Professor, lá na empresa eu não sei mais o que fazer para conseguir recursos para o SESMT, o meu gestor inventou uma disputa entre projetos, ou seja, há uma quantidade de dinheiro disponível e só são aprovados os melhores projetos, dentro da visão dele, mas nem sempre considera o número de trabalhadores beneficiados.

– Meu filho, isso já ocorre na maioria das empresas, acho que a única diferença é que o seu chefe deixou a situação explícita.

Entendo, mas tenho muita dificuldade de desenvolver esse tipo de projeto, escrevo sem ter um roteiro de quais pontos deveriam ser considerados para me auxiliar no convencimento. O senhor tem alguma sugestão?

– A primeira sugestão é você fazer um curso de gestão de projeto, mas como sei que isso vai demorar, vou tentar ajudar com algumas orientações básicas. Inicie o projeto indicando qual o objetivo, o que será feito, o que não faz parte do escopo e as justificativas.

Entendi, professor. Começo apresentando os dados e depois tentando vender o peixe.

– Exato! Na sequência você precisa dar uma previsão de prazo, custos e quais os recursos humanos e materiais que serão necessários.

Essas fases são complicadas, ter de fazer cronograma, orçamento e definir todos os recursos necessários exige um conhecimento que eu não tenho.

– Dê uma estudada e pelo menos tente fazer um esboço de um pequeno projeto, algo bem simples. No início podem ocorrer algumas falhas, mas é necessário praticar para desenvolver. Depois dessas etapas é preciso avaliar como será realizada a comunicação, ou seja, quem precisa saber o quê, a periodicidade das reuniões e como as informações serão transmitidas. Além disso, é necessário identificar quais os riscos envolvidos para ter a possibilidade de elaborar um plano B.

Tem mais alguma etapa?

– Sim, para tudo isso é preciso saber qual o nível de qualidade a ser alcançado. Para que seja possível estabelecer as especificações compatíveis para todos os itens que venham a compor o projeto. Por fim, o mais complicado, conseguir trabalhar com integração de todas essas etapas.

Poxa, professor é o maior trampo e ainda vou ter que disputar com os demais projetos.

– Essa disputa ocorre em qualquer empresa e me fez lembrar um trecho do livro Quincas Borba do magnífico Machado de Assis. O trecho diz o seguinte:

“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. (…) Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.

Como o livro tem um foco crítico não avalia a possibilidade de as tribos tentarem buscar soluções conjuntas para os problemas, mas no seu caso isso pode ser uma boa alternativa.


O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
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